8 de outubro de 2012

Tupi + Twinings: o meu blend

Não consegui me adaptar ao Earl Grey Twinings, infelizmente. É um chá super famoso na Inglaterra, dos mais tomados por lá, e sempre achei interessante ser (como todo earl grey) um chá preto aromatizado com óleo de bergamota. Mas eis que na hora de beber, não foi nada do que eu havia idealizado. Aliás, só um aviso: não é bergamota-tangerina-mexerica, é bergamota italiana, algo que deixa um sabor mais puxado para o limão. Cítrico, um tanto adstringente, me lembra muito sabonete, parece que estou bebendo detergente líquido. Não funcionou comigo, não consegui beber meia xícara nas minhas tentativas, apesar de ter um aroma perfumado sensacional, que extrapola a lata - tive que deixar separado dos outros chás para não "contaminar". Deixei assim alguns meses depois que a Márcia me trouxe do Uruguai, somente usando para fazer (bons) biscoitos, cuja receita publicarei por aqui em breve.

Daí há alguns dias tentei fazer um blend de chá preto puro com o earl grey. Ia tentar com o Qimen, mas pensei que um chinês não ia funcionar bem. Pois certei: o chá Tupi funcionou perfeitamente.


Chá Tupi é produzido em São Paulo, é um chá preto que vem com as folhas soltas na embalagem de 100 gramas (único chá preto que não é de saquinho que encontra-se nos supermercados em Porto Alegre - e só em alguns Zaffari). Não tem 20% do glamour de um earl grey Twinings, nem a mesma qualidade de um bom chá gourmet, mas é um passo além dos chás de sachê - as folhas não são tão moídas quanto os pozinhos que vem nos sachês, tem mais sabor, um aroma discreto mas bem perceptível e é mais encorpado. (Não consegui informações sobre o chá - sempre quis saber mais e logo que iniciei o blog escrevi para a empresa, mas ninguém respondeu...).



A combinação dos dois resulta num chá suave, levemente cítrico, com o sabor de bergamota italiana se revelando ao final. Assim acho bom, é o chá preto que venho tomando nas últimas duas semanas: meia colher (chá) de cada um para uma xícara de 220ml por dois minutos. Para fazer uma segunda infusão aproveitando as mesmas folhas eu acrescento mais um pouco de Tupi (ele sozinho não é bom para re-infusionar, então dou essa ajudazinha com folhas novas). Pode acrescentar o dobro de chá Tupi e colocar um pouco de leite - fica ótimo também.

Na imagem pode-se achar que as folhas do Tupi são semelhantes às do Twinings, mas na verdade o chá brasileiro é picotado, o que o deixa todo em pedacinhos iguais que não ultrapassam 4 milímetros. Já o Twinings é feito de folhas inteiras (embora quebradas), o que faz com que no meio de muitos pedaços pequenos encontrem-se outros de 10 até 15 milímetros também.

Atualização: O chá Tupi é plantado e processado pela Amaya (leia sobre o chá preto Amaya aqui), eles vendem também só com a marca Amaya e fornecem para a empresa que embala e vende como Tupi.

5 comentários:

  1. Que bom que achaste uma maneira de adequar o Earl Grey ao teu paladar!

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  2. Legal...não conhecia esta marca tupi....Por aqui em Goiânia só conhecia uma que já não fabrica mais, o royal blend - tender leav e outra que uso desde criança, o chá ribeira....o chá preto ribeira antigamente ele tinha um paladar mais apertado bem agradável do que o atual, ainda quero experimentar o tupi, como eu gostaria de encontrar aquele chá de paladar agradável, que eu conheci ainda criança no chá ribeira, hoje o chá ribeira só uso por necessidade e vício, já o royal blend nunca me agradou, o chá preto leão piorou, quem aprecia um bom chá preto, não usa Leão e nem o Oetker.
    Valeu

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  3. o cha tupi ,ainda é fabricado no vale do ribeira ,cidade de registro sp,fone para contato 13-3821-6803,falar com mori

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  4. Origem do Chá Tupi.

    Em 1919, durante o período da colonização japonesa nas redondezas do Rio Ribeira de Iguape…
    Torazo Okamoto era técnico de chá no Japão. Chegando à nossa região, assim como muitas outras famílias de japoneses, pretendeu iniciar seu crescimento com a agricultura.

    Mas, apesar de ser técnico de chá, não poderia imaginar que estas terras eram férteis para o cultivo do chá preto, optando por cultivar outras culturas que na época eram os principais produtores da colônia, como: o arroz, a cana-de-açúcar, a mandioca e o café. Depois de dois anos sem êxito na atividade agrícola, Torazo ficou sabendo da existência de mudas de chá em São Paulo, que haviam sido trazidas por Dom João VI para ornamentar os jardins do palácio.

    Ele trouxe essas mudas para Registro, mas não obteve o resultado desejado, pois eram de espécie chinesa, mais adequada para o chá verde. Foi então que em 1935, Torazo voltou ao Japão para buscar novas máquinas, conseguindo 100 sementes da espécie Assâmica, da região do Sri Lanka, tanto adequadas para o chá verde quanto para o chá preto.

    O curioso dessa história é que para trazer essas sementes, nosso protagonista as escondeu dentro do miolo de pão, para “driblar” a fiscalização do navio. Levou, inclusive, um pouco de terra e a semeação iniciou durante a longa viagem..

    Read more: HTTP://WWW.OVALEDORIBEIRA.COM.BR/2012/11/HISTORIA-CHA-VALE-DO-RIBEIRA.HTML#IXZZ3W3TYTLCJ

    http://www.ovaledoribeira.com.br/2012/11/historia-cha-vale-do-ribeira.html

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