6 de junho de 2016

Provando o Obaatian - o Chá da Vovó

Se houve uma surpresa pra mim nos últimos meses no mundo dos chás, foi a descoberta do Obaatian, o Chá da Vovó. Já conhecia ele em um blend da Infusorina (já resenhado aqui no blog), mas não tinha tomado puro. A produção de chá de qualidade no Brasil é bastante escassa e raros são os que se destacam como chás realmente bons de saborear. Este é um deles. (Já falei aqui sobre o chá preto Amaya também e quero falar futuramente sobre os Yamamotoyama).


Dona Ume Shimada no chazal | Foto de Luci Judice Yizima/Jornal Nippak


O chá é produzido pela dona Ume Shimada e sua família, em Registro, interior de São Paulo. "80 anos nas costas da vovó Shimada não foram suficientes para abalar o ânimo dessa senhora. Arregaçou as mangas para recuperar a plantação de chá em seu terreno, e com a ajuda de sua filha, Teresinha, levantou uma pequena fábrica de chá artesanal. Com carinho e dedicação, o Sítio Shimada hoje produz seu próprio chá preto puro de qualidade, na tradicional região do Vale do Ribeira." Assim nos é apresentado o chá no site da empresa, uma belezinha.

Leia abaixo trecho da matéria do Jornal Nippak, que tem boas fotos também: "De acordo com a dona Ume, por dia são colhidos 20 quilos de brotos de chá, toda a produção do chá é feita manualmente por ela. Os chás são feitos de brotos e folhas recém-emergidas, colhidas manualmente a cada duas ou três semanas de setembro a maio. Em três meses tem nova safra. Após a colheita, as folhas são espalhadas em grandes bandejas e deixadas para secar por períodos de tempo variados."

Quanto ao chá, é um preto artesanal lindo, de folhas grandes levemente torcidas, cheiroso, com sabor extenso, complexo, lembrando os bons chás chineses de que já falei muito aqui no blog. Suave e marcante, fica pronto em um minuto apenas - instrução muito acertada da embalagem; na embalagem, aliás, temos a data de colheita do chá que estamos tomando, o que é uma informação importante pra quem gosta de saber.




Tenho grande apreço a este chá e dou minha total recomendação. Se tivesse que escolher alguns chás pra levar pra uma ilha deserta, este seria um deles (não sei como eu ia preparar chá em uma ilha deserta, mas, né, é só imaginação).

No site da marca saiba onde encontrá-lo: www.obaatian.com.br

Online você pode comprá-lo com a Infusorina: www.infusorina.com.br

A Yuri, do blog Chá, Arte e Vida, visitou a fazenda e fez um post mostrando o processamento artesanal do chá: chaarteevida.blogspot.com.br/2015/11/visitando-as-fazendas-de-cha-no-brasil.html


24 de setembro de 2015

Provando chás da Infusorina

Coisa boa é que o mundo dos chás está se expandindo no Brasil. Temos novas casas, novos produtos, novas marcas e muito conhecimento sendo compartilhado. Uma dessas novas marcas é a Infusorina (www.infusorina.com.br), comandada pela sommelière Renata Acácia há cerca de um ano. Ela tem instigantes blends próprios; dois desses blends eu provei e falo agora deles:


Bem-me-quer - Minha inicial admiração aqui vai para o ótimo chá preto nacional que compõe a base do blend: é o Shimada, produzido na cidade de Registro, em São Paulo. É um chá macio, redondo, com bom corpo, muito gostoso de tomar. Junta-se a ele rosa mosqueta, amaranto e hibisco. Tive um pouco de dificuldade inicial de sentir o sabor dos outros ingredientes, só consegui quando fiz com água em temperatura mais alta do que a recomendada (recomenda 80°C, fiz com 90°C), daí principalmente a rosa aparece no paladar, o que deixa ele ainda melhor - mas isso também vai depender da quantidade de pétalas que você pegar pra fazer a infusão.




Amaranto - Aqui temos um chá verde como base, juntando jasmim, amaranto, lavanda e maçã. Geralmente tenho algumas ressalvas a chá verde com jasmim, mas este compõe muito bem com os outros ingredientes, especialmente a lavanda, que dá uma profundidade super interessante ao sabor, além de um aroma convidativo. É bacana poder tirar o chá do pacote e olhar para ele, para ver todos as flores e outros elementos envolvidos no blend.

Só senti falta nas embalagens da descrição de todos os ingredientes dos blends. No Bem-me-quer falta dizer que tem hibisco, e no Amaranto falta dizer que tem maçã. A propósito, as embalagens são muito bonitas:


Fiz algumas perguntas à Renata para escrever o post e acho que as duas últimas respostas dela são importantes estarem aqui por inteiro:

Qual está sendo o maior desafio de trabalhar com chá no Brasil?
Materia prima necessária. Sinto muita dificuldade de encontrar flores, especiarias, chás de folha inteira (naturalmente, afinal, não são produzidos aqui). Ainda mais nesse momento em que o dolar não ajuda. Mesmo que eu use toda a experiencia e, por que não, contatos no comércio internacional, a dificuldade a nível Brasil é ainda muito grande.
Imaginei que a falta de "cultura" do chá fosse um empecilho, mas percebo a cada dia que as pessoas estão muito abertas ao novo e ao que faz bem.

E qual a maior satisfação de trabalhar com chá no Brasil?
Eu tenho alguns amores e, o Brasil é um deles. Morei em quatro estados e sou completamente apaixonada por pessoas. Gosto dessa troca de informações e compartilhamento e me sinto muito realizada em estar com a Infusorina em um momento diferente do nosso país, momento da geração de valor, de mudanças políticas, de mudanças de valores e de negócios. O chá tem sido um boom e participar disso ativamente é gratificante, receber mensagens, ligações e depoimentos passam muita força e determinação. Então, consigo resumir que: desenvolver juntamente a todos que apreciam a cultura do chá, e difundir a mesma aqui, no nosso país é gratificante por si só. 

Os chás são vendidos pelo site, onde também é possível comprar os chás brasileiros Amaya (que já foram tema de um post, com seu chá preto) e o Shimada: www.infusorina.com.br


17 de agosto de 2015

O que é matcha

A nova moda das empresas de dieta parece ser o matcha. Tem em tudo que é lugar algum produto com este nome. E de tudo que é jeito absurdo - porque, você sabe, nem tudo que se diz que é algo é aquilo mesmo, especialmente neste ramo de alimentação (lembrem-se, por exemplo, que recentemente, seguindo a moda detox, muitos produtos chegaram às prateleiras com este nome "detox", prometendo "desintoxicar" as pessoas, e a Anvisa mandou suspender sua divulgação "milagrosa").


Bom, ok, ninguém liga muito para o que é matcha, bancha, chá vermelho etc,  mas eu ligo. Vamos lá dar uma aprendida no assunto então.

Matcha simplesmente é um tipo específico de chá verde, em pó, produzido de modo tradicional japonês, originalmente usado para a cerimônia do chá nipônica. Estas as palavras chaves: "chá verde específico", "japonês" e "em pó". Fora desse padrão, não é matcha. Pode ser em pó, mas se não for o tipo certo, feito segundo os preceitos japoneses, não é matcha. Pode ser parecido, pode estar imitando, pode querer confundir, mas não é matcha. É que eu gosto das coisas bem entendidas.

Este produto da foto abaixo, por exemplo, não é matcha, é uma mistureba de um monte de negócios. Mesmo os produtos que não são essa mistureba, que consistem em apenas chá verde em pó, se estão nas prateleiras de supermercados ou lojas de coisas naturais anunciando emagrecimento, provavelmente não são matcha também. Tudo bem serem só chá verde em pó. Tudo ótimo com tomar chá verde em pó, mas colocar na coisa o nome de algo que não é, não me parece honesto, apenas marketing pra vender mais com promessas suspeitas (e lojas de coisas naturais estão cheias dessas coisas, vide os detox da vida, os pré-treinos super-power que são só cafeína, os seca-barriga, os cafés verdes, os óleos de sei-lá-o-quê - conheço todos de vista, estou sempre nessas lojas).


Você pode vender um queijo mussarela dizendo que é parmesão? Pra quem não sabe a diferença, pode. Pode vender um whisky de Piracicaba dizendo que é um scotch 12 anos? Pra quem não sabe a diferença, pode. É isso que acontece, basicamente.

E quais são as especificidades do matcha, então? Bom, o matcha vem, é claro, da cammelia sinensis, a planta do chá. Ele é cultivado como um gyokuro (o mais requintado dos chás japoneses), ou seja, nos últimos 20 ou 30 dias antes da colheita a lavoura toda é coberta para que as plantas não peguem mais sol. Isso faz com que diminua o nível de taninos nas folhas (responsáveis por amargor), e aumente o aminoácido teanina, assim dando um sabor forte e marcante mas suave e doce ao matcha, e sua cor fica mais viva e profunda.

Depois ele passa por etapas de processamento específicas das folhas, até que elas sejam moídas em um pó muito, muito fino, utilizando-se moedores de pedra - os de baixa qualidade são moídos em máquinas mesmo, como pode-se ver no vídeo ao final do post.

Propriedades benéficas, ele tem? Sim, as propriedades do matcha são potencializadas por ele ser tomado diretamente, ou seja, ingerimos as folhas mesmo (o pó), e não a infusão das folhas, como nos outros tipos de chás. Assim sendo, polifenóis estão em profusão (que são anti-oxidantes e fazem um bem danado), principalmente um lá chamado EGCG, assim como cafeína. Ele emagrece? Bom, cafeína é conhecida por acelerar o metabolismo; enquanto isso a teanina é cheia de propriedades benéficas e nutrientes. Isso faz emagrecer sozinho? Realmente, não, mas pode ajudar dentro de um contexto,como tudo na vida.


Fiz um teste estes dias, com um matcha de verdade, que nem era de alto nível, e um desses matchas falsos que são qualquer-coisa-que-não-sabemos-o-que-é, comprado numa "loja natural". A foto acima mostra o resultado: o matcha real fica espumoso e bonito, a espuma dura vários minutos e o aroma é fantástico - o sabor também, para mim, mas isso vai do que cada um acha: não tem nada de amargo, mas tem um gosto bem verde, com notas de espinafre e algo umami. Já o "falso matcha" fez pouca espuma, que logo desapareceu, e tinha um gosto de um nada amargo, realmente.

É bom aqui salientar que as propriedades benéficas do matcha só estão reportadas porque em estudos são considerados os matchas verdadeiros. Se alguém pega aqueles chás verdes horrorosos que se vendem por aí nas lojinhas (já viram quanta porcaria tem por aí com o nome de "chá verde"?), mói e vende como matcha, nem rezando dá o mesmo resultado.

Então, lembrando: matcha é sim um chá verde em pó, mas é um chá verde muito específico, cultivado de forma específica e processado dentro dessas especificidades. Não é porque moemos qualquer chá que ele se torna matcha, assim como não é qualquer vinho espumante que é champanhe (só pode usar este nome os espumantes da região de Champanhe, na França, você sabe). Se você está assim preocupad@ com sua saúde e/ou dieta, faça direitinho. Se quiser comprar matcha, compre do bom; se quiser comprar chá verde, compre das marcas decentes, nada daquele monte de capim seco cheio de galhos.

Aqui um vídeo mostrando rapidamente o processo de se plantar e processar matcha (eles só não mostram as lavouras cobertas, apenas as lonas amarradas sobre os canteiros esperando a época certa para serem abertas):


Em breve (provavelmente nem tão breve) farei um vídeo mostrando como se prepara o matcha. Ele tradicionalmente é usado para a cerimônia do chá japonesa, que envolve todo um ritual meditativo, mas para tomar em casa normalmente bem de boas também há que se saber como preparar.

Atualização
Onde comprar?
Atendendo a pedidos, segue onde há matcha verdadeiro para comprar no Brasil, que eu saiba:
Talchá - online e nas lojas
Moncloa - nas lojas
Perceba que o preço em "tea boutiques" é bem alto.

Também se encontra em São Paulo, em alguns mercadinhos da Liberdade (cuidado, compre de marcas japoneses, pois marcas brasileiras não fazem o verdadeiro).

O meu eu comprei no Ebay. Você vai ver que os valores são bem mais em conta. Aqui também é preciso cuidado, pois há muita coisa de baixa qualidade - mas geralmente dá pra comprar tranquilo, só que chega dois meses depois.

27 de julho de 2015

Introdução ao chá japonês

Pois se há todo um mundo dos chás, há um pequeno mundo dentro desse mundo maior reservado aos chás japoneses. São chás bastante específicos e diferentes dos chás chineses (que são os mais conhecidos e difundidos) e indianos (conhecidos pelos chás pretos). O chá verde é a qualidade principal, quando alguém lá menciona chá (ocha), é a um chá verde que está se referindo. Além dos próprios chás, os utensílios e a cerimônia tradicional de preparo difere dos outros países. Já falei sobre banchá aqui no blog, e quero escrever sobre matcha e os outros, mas antes farei uma introdução ao tema, retirada do livro Tea Sommelier:

"Chá em todas as suas formas é tão difundido na sociedade japonesa que faz parte de quase toda rotina diária: é servido com refeições em restaurantes (bancha, houjicha), é preparado entre amigos ou em reuniões mais refinadas (sencha, gyokuro), e, é claro, sintetiza a filosofia zen durante a cerimônia do chá (matcha).

No Japão, o chá é colhido de duas a quatro vezes por ano. A colheita na primavera é sem dúvida a melhor e a mais solicitada. O chá verde japonês é tradicionalmente cultivado na província de Shizuoka, lar do melhor Sencha, na província de Kyoto, famosa pelo matcha e pelo gyokuro, e nas províncias de Kagoshima e Kyushu, no sul do país. 

O chá verde lá geralmente retém sua cor viva através de um método de vaporização em alta temperatura desenvolvido em Kyoto em 1738. Durante essa fase muito curta do processamento a temperatura alta bloqueia as enzimas das folhas responsáveis pela oxidação, permitindo ao chá preservar sua cor original."



Foto de Fabio Petroni, no livro Tea Sommelier



16 de junho de 2015

Tomando chá em Nova Iorque - Parte 2

Segundo e último post sobre as casas de chá que visitei em Nova Iorque. Agora temos as duas melhores experiências (para ler o primeiro post, clique aqui).

Argo Tea - loja localizada no térreo do Flatiron Building, um dos cartões postais de NY. Muito bonitinha, colorida, com amostras grátis de chás gelados logo na entrada. Opções de drinks de chá com misturas e leite ou só chá infuso. Não tinham menu, você tem que escolher o chá na parede de chás (ou uma das opções de misturas sugeridas na tabela de preços sobre o caixa, tipo MacDonalds) e o que quiser comer direto no balcão - nada muito incrível, alguns bolinhos, cookies, sanduíches prontos e coisas do tipo. Os chás são preparados numa espécie de máquina expressa. Em 2 minutos a menina fez chá pra três clientes. Ia até reclamar porque achei que ela tinha feito com leite, mas não, era só espuma do chá mesmo quase saindo do copo (e ficou bom!). Há sofás, uma mesa coletiva grande e algumas individuais. Servem em copo descartável como as casas do post anterior, mas é um ambiente bem tranquilo pra ficar com seu copo. Ponto negativo: o banheiro é fechado com senha, mas a senha não vem no recibo de compra (como acontece no Shake Shack, por exemplo), você tem que pedir pra uma atendente atrás do balcão enquanto ela atende outras pessoas (treine seu ouvido para números, isto é de real importância em toda a viagem - você acha que é fácil mas quando alguém atrás de uma máquina de chá te diz ou-naine-ou-fortifaive você pode ter dificuldades). Os chás em folha pra levar já estão em pacotes e vidros, é só pegar (tem uma balança, talvez dê pra pedir por peso também, não percebi, mas deve ser meio complicado). Tem wifi do local e o do prédio. E a vizinhança é uma belezinha, dá um belo passeio.





Endereço da loja: 949 Broadway New York

Alice's Tea Cup - uma casa de chá que tem por tema Alice no País das Maravilhas (há o Chapeleiro Maluco no livro, você sabe, que serve chá). É dividida em duas: na parte da frente você pode pedir chá to go (pra levar, em copo descartável), comprar em folhas ou pegar um dos scones ou muffins. Se quiser sentar é preciso pedir uma mesa. Quando fui estava cheio, precisei esperar uns 10 minutos por ali. Lá dentro é meio escuro, rústico, móveis díspares, utensílios que não combinam, bem descolado. Há um menu com os chás e outro para comidinhas e refeições. Pedi um bule de chá com dois scones. O bule é considerável, dava umas 5 xícaras. O chá era ótimo, pedi o sabor errado, mas não me arrependi. Os scones também tinham tamanho interessante, dá pra quem está com fome mesmo; eles vêm com geléia e um creme tipo chantilly. Aqui é serviço de restaurante normal: pede pra atendente na mesa, eles trazem, depois no fim pede a conta e faz o procedimento de pagamento (lá nos EUA tem o negócio de dar gorjeta, e é depois que passam o cartão, não entendo, uma complicação, mas funciona). Logo depois de me servirem o chá veio um funcionário e distribuiu nas mesas umas canecas dessas aí da foto, com água (tap water, água da torneira, lá eles tomam normal); achei divertido. Fica pertinho do Central Park, dá pra ir direto do Strawberry Fields (local no parque em homenagem ao John Lennon) pra lá. Apenas um ponto negativo: não tem wifi - apesar de haver uma conexão com o nome da loja, a atendente disse que eles na verdade não tem -, se você for turista essa pode ser a diferença entre conseguir pesquisar seu próximo destino ou se perder andando rumo a midtown e ter que voltar quatro quadras até achar um wifi gratuito. Mas como experiência de lugar, de atendimento e de gastronomia foi a melhor de todas. São queridos, atenciosos e não querem que você saia de lá correndo.




http://alicesteacup.com/
Endereço da loja: 102 West 73rd Street, at Columbus Avenue, New York


2 de junho de 2015

Tomando chá em Nova Iorque - Parte 1

Férias em New York (também conhecida como Nova Iorque). Onde tomar chá no clima outonal-super-frio de abril? Eu tinha como referência os posts da Márcia, do blog Folha do Chá, que foi para lá em 2012. Anotei as casas de chá em que ela foi e juntei com algumas outras e fiquei com uma lista de 10. Como várias eram fora de mão para ir, acabei indo em quatro somente. Segue um pequeno resumo e review de duas delas. Em breve um outro post com as outras duas. Logo aqui abaixo o meu mapa da cidade com as localizações das casas de chá - como algumas têm mais de uma loja, fiquei com um mapa de 20 opções, incrivelmente distantes de quase todos os outros pontos que eu deveria visitar (que estavam divididos em outros mapas - viajar é planejamento).



David's Tea - Uma das primeiras marcas de chá que eu conheci, inclusive porque os chás deles é que são usados em um vídeo sensacional sobre as diferenças na vida de ser um bebedor de café e de chá (tema de um dos primeiros posts deste blog). A tranquilidade a que o vídeo faz referência em relação ao chá não se encontra na loja. Só vendem chá em copo descartável to go (pra viagem), o que é a tendência, então ok, nem é ruim assim. Mas só o que fazem é colocar um saquinho lá dentro, com água quente; você tem que adivinhar qual é o tempo de infusão e tirar o saquinho. E mesmo que tenha duas mesas e um sofá, é pra você ficar lá com seu copo descartável pronto pra sair, porque parece que estão é muito interessados em ser rápidos e vender utensílios. Os atendentes são simpáticos, mas falam rápido mesmo, não foi fácil lidar com eles com meu inglês fora de prática. Há chás em folha em diversos formatos para comprar (pacotes, latinhas, caixinhas com saquinhos). O chá que tomei lá foi bastante bom, e a variedade abarca vários gostos. Ponto positivo: havia um atendente do lado de fora da loja distribuindo amostras grátis de chá gelado em copinhos, achei simpático; o mesmo atendente depois ficou interessado por eu ser brasileiro e conversou descontraidamente. Ponto negativo: quando quis comprar chá em folha pra levar ele encheu um pacote e me cobrou 30 dólares, sem perguntar quanto eu queria (pergunte antes de comprar como são as medidas!). As latas grandes que contêm os chás têm um compartimento em separado onde é possível ver e cheirar o chá (o que acabei nem fazendo, porque me senti meio corrido).Tem wifi? Tem wifi.

http://www.davidstea.com
Endereço da loja: 275 Bleecker St, New York



Teavana - é uma rede de lojas comprada pelo Starbucks, a maior dos EUA. Achei que seria chá express, mas são bem direitinhos. A loja é lindona, com visual de restaurante sofisticado . Havia umas mesas no fundo e uma mesa coletiva à janela, de frente pra calçada da Madison Avenue, uma beleza. (Aliás, mesas coletivas em Nova York são bem normais, em vários estabelecimentos existem, você senta junto com pessoas que desconhece.) Na Teavana havia um menu com os tipos de bebidas e um outro com pratos e lanches. Não há os sabores dos chás no menu, então você pergunta ou se levanta e vai na parede das latas de chá ver o que tem. Foi o que eu fiz: fui até os chás (não contei, mas a variedade é grande, mais de 60), daí um atendente ficou bem na minha frente perguntando se eu queria sugestões. Não, eu não queria. Escolhi um dos chás que eu consegui ver por cima da cabeça dele (chá branco com sabor de melancia), e umas tipo almôndegas de arroz recheadas de frango. Serviram o chá em alguns minutos (num copo descartável - você só recebe xícara se pedir um bule). Ao contrário do David's Tea (e do Starbucks), eles servem o chá já infuso, pronto para beber, nada de saquinho dentro. Fiquei lá esperando o prato, tomando o chá que nem era tão bom (adstringente e vai ficando enjoativo); a loja estava calma e realmente é um bom lugar. Mas eis que o prato não chegou. Passou mais de meia hora até eu achar que não deveria demorar tanto assim pra preparar, nem que tivesse que cozinhar o frango inteiro. Reclamei (reclamar é algo que não se aprende nas aulas de inglês, realmente, mas foi ok), e o funcionário que me atendeu disse que ele tinha esquecido. Daí é complicado. Fiquei muito magoado e nem comprei chá em folha nem nada mais. E as chicken rice balls eram bem boas e nutritivas, mas servem sem faca, fica difícil você tentando ser chique na Madison Avenue tendo que cortar bolas densas de arroz com um garfo em cima de uma tabuinha. Aqui os atendentes levam o seu pedido na mesa, não ficam chamando teu nome de forma que você não entende. Tem wifi do Google, como nos Starbucks.

http://www.teavana.com
Endereço da loja: 1142 Madison Ave, New York



Casas de chá do próximos post: Argo Tea e Alice's Tea Cup.


3 de maio de 2015

Tomando chá no aeroporto de Guarulhos

Starbucks e sua mesa coletiva
Então temos que ficar esperando no aeroporto por horas e queremos tomar chá, em Guarulhos onde podemos ir? Conheço dois lugares. O primeiro é o Starbucks, no terminal 2. Perdi a oportunidade de falar das experiências com chás no Starbucks em Lisboa, ano passado. Mas ali por Guarulhos a coisa é mais ou menos assim: não importa o tipo de chá que você peça (preto, verde ou chai), eles colocam um saquinho com chá de aparência muito boa (da marca própria deles, Tazo) em um copo descartável com quase meio litro de água fervendo e te dão. Você sai se queimando todo, esperando aquilo esfriar. Se não tiver a presença de espírito de abrir o copo e tirar o chá de lá depois de um tempinho (como é apropriado fazer), vai tomar um chá forte e amargo após esperar uns 15 minutos pra ele chegar numa temperatura tomável.

Copo do Starbucks com seu chá
O outro lugar para tomar chá é no terminal 3, onde fica o café Suplicy. É todo bonitão, com decoração preta e rosa, e com mesinhas agradáveis. Lá no Suplicy eles têm chás da marca Or Tea?, que são muito bons, com folhas inteiras em saquinhos decentes. Mas o serviço foi um tanto ruim quando lá estive. Você pede no caixa e eles vão preparar o chá e te chamam no balcão para pegar (estilo mesmo Starbucks, o que está ok). A atendente do caixa não estava por dentro do processo de pedidos de chá, ficou toda perdida, tive que ajudar e mostrar quais eram os chás e qual eu queria (falta de treinamento, hein). Depois eles me chamaram pra pegar o chá, passando a bandeja por cima de outras coisas; uma parte da água virou no processo, já que pegar uma bandeja com uma xícara cheia de água quente no ar não é assim tão fácil. O fato de virar um pouco de água é algo importante neste caso, já que servem o chá em uma xícara de café, que é bem menor do que os esperados 200ml de uma xícara de chá. Investimento em utensílios apropriados para quê, não é? (Aqui em Porto Alegre temos o Z Café na rua Padre Cacique, que serve os mesmo chás de uma maneira muito melhor - falarei deles em breve)


Daí você vê, têm um ambiente bacana, um nome famosinho, mas não estão muito preocupados com serviço que oferecem. Havia três funcionárias para atender no caixa, preparar os pedidos, entregá-los e cuidar da organização das mesas. Não me parece pouco até, mas falta de treinamento e de investimento no conhecimento dos colaboradores acerca do que eles servem foi visível.

Oferecer algo mais ou menos só porque é no aeroporto é a tendência 2015? Ter um empreendimento que só quer vender, não se importando com o bem servir daquilo que os clientes pedem é praticamente a mesma coisa que qualquer boteco faz (e olha que tem boteco que já evoluiu).

Tomar chá em xícara de café, quem quer?

(Texto baseado nas visitas ao aeroporto em agosto de 2014 e abril de 2015)

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