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19 de dezembro de 2016

Casas de chá em São Paulo: Bistrô Ó-Chá e The Gourmet Tea

Viajei mais uma vez a São Paulo e fui visitar algumas casas de chás e cafés. Não deu para ir em tudo que eu planejei porque no primeiro dia me empanturrei de chá e só fui nessas duas abaixo, em vez de ir também na Chá Yê e no King of the Fork; mas aqui temos então minhas impressões sobre onde eu fui:

- Bistrô Ó-Chá - sempre foi minha casa de chá preferida por lá, já falei dela aqui e deveria ter feito outro post ano passado, mas não fiz (nem sobre a Chá Yê, que eu visitei em 2015 também e merecia um post). Desta vez não foi tão boa a experiência, apesar da excelente comida, conforme abaixo:

a) fui almoçar e em nenhum lugar lembro de ter visto que eles só servem almoço a partir das 12:30h (e eu sigo eles no Instagram e todo dia tem foto dos pratos do almoço); chegamos um pouco antes das 12h e tivemos que esperar até o tal horário para fazer o pedido de almoço, o que não é exatamente ruim, mas né, horários claros nas divulgações são sempre bons - pra turistas então, que não estão com os horários mais largos do mundo, ainda melhor;



b) não tem cardápio escrito pro almoço, daí o atendente tinha que ficar te dizendo, de cor, todos as opções do dia: 2 entradas e 3 pratos principais, com descrição dos ingredientes; entendo que os pratos são diferentes a cada dia, mas imprimir umas folhas A4 é baratinho e facilitaria muito e deixaria o momento do pedido menos estranho (porque você tem que prestar atenção em tudo e se lembrar de tudo para fazer o seu pedido, daí você não lembra e tem que ficar perguntando) - mesmo escrever com um giz na parede já seria de grande ajuda (na saída vi que escreveram num quadro lá na entrada - quando entramos ainda não tinha, mas igual é na rua); se para nós foi meio complicado, imagina pra quem é estrangeiro e vai comer lá;




c) tem um cardápio enorme impresso de chás quentes, mas não tem nada escrito com os chás gelados disponíveis, o atendente, de novo, tem que ficar te dizendo as 5 ou 6 opções de blends disponíveis (e nenhum, aparentemente, é com chá de verdade, o que tirou um pouco da graça pra mim, mas os sabores disponíveis são bem interessantes);

d) foi R$ 42,00 o almoço, com uma entrada e um prato principal e uma sobremesa e um chá. Preço ótimo, mas a sobremesa era meio matada (MEIO muffin com sorvete);


e) achei que o atendimento pode melhorar; o atendente era meio displicente e a complicação toda de horário e cardápios fez a visita não ser tão legal, além de a criança pequena que estava com umas meninas ter começado a chorar em algum momento; criança chorando é um terror;

f) o arroz com lula, prato que eu pedi, era muito bom: um tempero sensacional;

g) eles servem chá em bule, o suficiente para umas três xícaras, então dá pra dividir se quiser.



Uma foto publicada por Ederson Nunes (@ederson_nunes) em

Saiba mais sobre o bistrô: http://www.bistroocha.com.br/ Ele fica na Rua Alpicuelta, 194. Pra chegar lá, desci na estação Fradique Coutinho e peguei um táxi, porque é um pouquinho longe e tem que ir subindo - obviamente, com muita disposição, se vai a pé.


- The Gourmet Tea - há três anos não ia aqui, fui lá conferir como andam (post anterior aqui). Mais ou menos da mesma forma: é um lugar com cara moderna, colorido, que tem ainda os mesmos sabores de chás (já devo ter provado todos que me interessavam, os que não me interessavam continuam não me interessando).


Pedi um petit gateau pra comer, que veio numa apresentação diferente: o bolinho totalmente coberto pelo sorvete; ele se diz "artesanal" em toda parte no cardápio, mas o sorvete era um pouco duro (não dava pra cortar com a colher sem apertar e transbordar o potinho) e o bolinho um tanto doce demais.



O atendimento foi bom, são simpáticos. Tudo certo, é agradável, tem boa variedade de bebidas, mas não me dá aquele "oh que bom, quero voltar". Eles têm o sistema de você preparar o chá na mesa, o que é charmoso, mas colocando o chá em cima da água (e não o contrário) deve ocasionar algumas infusões mal feitas, por causa da tensão superficial (no meu caso, pedi uma infusão de mate, que é bem picotadinho, deu tudo certo).



Saiba mais sobre a casa: http://www.thegourmettea.com.br/ (esta que eu fui é uma das unidades - a primeira, na Rua Matheus Grou, 89. Tem outras em outros lugares).


Aproveitando, falo que nesses três anos o bairro (Pinheiros) mudou bastante. Agora tem novas estações de metrô e as ruas todas se transformaram em uma concentração de comércio hipster - não tem uma farmácia (não achei mesmo, estava procurando e andei bastante), mas você tropeça em qualquer coisa "gourmet" a cada 10 passos.

16 de junho de 2015

Tomando chá em Nova Iorque - Parte 2

Segundo e último post sobre as casas de chá que visitei em Nova Iorque. Agora temos as duas melhores experiências (para ler o primeiro post, clique aqui).

Argo Tea - loja localizada no térreo do Flatiron Building, um dos cartões postais de NY. Muito bonitinha, colorida, com amostras grátis de chás gelados logo na entrada. Opções de drinks de chá com misturas e leite ou só chá infuso. Não tinham menu, você tem que escolher o chá na parede de chás (ou uma das opções de misturas sugeridas na tabela de preços sobre o caixa, tipo MacDonalds) e o que quiser comer direto no balcão - nada muito incrível, alguns bolinhos, cookies, sanduíches prontos e coisas do tipo. Os chás são preparados numa espécie de máquina expressa. Em 2 minutos a menina fez chá pra três clientes. Ia até reclamar porque achei que ela tinha feito com leite, mas não, era só espuma do chá mesmo quase saindo do copo (e ficou bom!). Há sofás, uma mesa coletiva grande e algumas individuais. Servem em copo descartável como as casas do post anterior, mas é um ambiente bem tranquilo pra ficar com seu copo. Ponto negativo: o banheiro é fechado com senha, mas a senha não vem no recibo de compra (como acontece no Shake Shack, por exemplo), você tem que pedir pra uma atendente atrás do balcão enquanto ela atende outras pessoas (treine seu ouvido para números, isto é de real importância em toda a viagem - você acha que é fácil mas quando alguém atrás de uma máquina de chá te diz ou-naine-ou-fortifaive você pode ter dificuldades). Os chás em folha pra levar já estão em pacotes e vidros, é só pegar (tem uma balança, talvez dê pra pedir por peso também, não percebi, mas deve ser meio complicado). Tem wifi do local e o do prédio. E a vizinhança é uma belezinha, dá um belo passeio.





Endereço da loja: 949 Broadway New York

Alice's Tea Cup - uma casa de chá que tem por tema Alice no País das Maravilhas (há o Chapeleiro Maluco no livro, você sabe, que serve chá). É dividida em duas: na parte da frente você pode pedir chá to go (pra levar, em copo descartável), comprar em folhas ou pegar um dos scones ou muffins. Se quiser sentar é preciso pedir uma mesa. Quando fui estava cheio, precisei esperar uns 10 minutos por ali. Lá dentro é meio escuro, rústico, móveis díspares, utensílios que não combinam, bem descolado. Há um menu com os chás e outro para comidinhas e refeições. Pedi um bule de chá com dois scones. O bule é considerável, dava umas 5 xícaras. O chá era ótimo, pedi o sabor errado, mas não me arrependi. Os scones também tinham tamanho interessante, dá pra quem está com fome mesmo; eles vêm com geléia e um creme tipo chantilly. Aqui é serviço de restaurante normal: pede pra atendente na mesa, eles trazem, depois no fim pede a conta e faz o procedimento de pagamento (lá nos EUA tem o negócio de dar gorjeta, e é depois que passam o cartão, não entendo, uma complicação, mas funciona). Logo depois de me servirem o chá veio um funcionário e distribuiu nas mesas umas canecas dessas aí da foto, com água (tap water, água da torneira); achei divertido. Fica pertinho do Central Park, dá pra ir direto do Strawberry Fields (local no parque em homenagem ao John Lennon) pra lá. Apenas um ponto negativo: não tem wifi - apesar de haver uma conexão com o nome da loja, a atendente disse que eles na verdade não tem -, se você for turista essa pode ser a diferença entre conseguir pesquisar seu próximo destino ou se perder andando rumo a midtown e ter que voltar quatro quadras até achar um wifi gratuito. Mas como experiência de lugar, de atendimento e de gastronomia foi a melhor de todas. São queridos, atenciosos e não querem que você saia de lá correndo.




http://alicesteacup.com/
Endereço da loja: 102 West 73rd Street, at Columbus Avenue, New York


2 de junho de 2015

Tomando chá em Nova Iorque - Parte 1

Férias em New York (também conhecida como Nova Iorque). Onde tomar chá no clima outonal-super-frio de abril? Eu tinha como referência os posts da Márcia, do blog Folha do Chá, que foi para lá em 2012. Anotei as casas de chá em que ela foi e juntei com algumas outras e fiquei com uma lista de 10. Como várias eram fora de mão para ir, acabei indo em quatro somente. Segue um pequeno resumo e review de duas delas. Em breve um outro post com as outras duas. Logo aqui abaixo o meu mapa da cidade com as localizações das casas de chá - como algumas têm mais de uma loja, fiquei com um mapa de 20 opções, incrivelmente distantes de quase todos os outros pontos que eu deveria visitar (que estavam divididos em outros mapas - viajar é planejamento).



David's Tea - Uma das primeiras marcas de chá que eu conheci, inclusive porque os chás deles é que são usados em um vídeo sensacional sobre as diferenças na vida de ser um bebedor de café e de chá (tema de um dos primeiros posts deste blog). A tranquilidade a que o vídeo faz referência em relação ao chá não se encontra na loja. Só vendem chá em copo descartável to go (pra viagem), o que é a tendência, então ok, nem é ruim assim. Mas só o que fazem é colocar um saquinho lá dentro, com água quente; você tem que adivinhar qual é o tempo de infusão e tirar o saquinho. E mesmo que tenha duas mesas e um sofá, é pra você ficar lá com seu copo descartável pronto pra sair, porque parece que estão é muito interessados em ser rápidos e vender utensílios. Os atendentes são simpáticos, mas falam rápido mesmo, não foi fácil lidar com eles com meu inglês fora de prática. Há chás em folha em diversos formatos para comprar (pacotes, latinhas, caixinhas com saquinhos). O chá que tomei lá foi bastante bom, e a variedade abarca vários gostos. Ponto positivo: havia um atendente do lado de fora da loja distribuindo amostras grátis de chá gelado em copinhos, achei simpático; o mesmo atendente depois ficou interessado por eu ser brasileiro e conversou descontraidamente. Ponto negativo: quando quis comprar chá em folha pra levar ele encheu um pacote e me cobrou 30 dólares, sem perguntar quanto eu queria (pergunte antes de comprar como são as medidas!). As latas grandes que contêm os chás têm um compartimento em separado onde é possível ver e cheirar o chá (o que acabei nem fazendo, porque me senti meio corrido).Tem wifi? Tem wifi.

http://www.davidstea.com
Endereço da loja: 275 Bleecker St, New York



Teavana - é a rede maior dos EUA. A loja é lindona, com visual de restaurante sofisticado . Havia umas mesas no fundo e uma mesa coletiva à janela, de frente pra calçada da Madison Avenue, uma beleza. Aqui havia um menu com os tipos de bebidas e um outro com pratos e lanches. Não há os sabores dos chás no menu, então você pergunta ou se levanta e vai na parede das latas de chá ver o que tem. Foi o que eu fiz: fui até os chás (a variedade é grande, mais de 60), daí um atendente ficou bem na minha frente perguntando se eu queria sugestões. Não, eu não queria. Escolhi um dos chás que eu consegui ver por cima da cabeça dele (chá branco com sabor de melancia), e umas tipo almôndegas de arroz recheadas de frango. Serviram o chá em alguns minutos (num copo descartável - você só recebe xícara se pedir um bule). Ao contrário do David's Tea, eles servem o chá já infuso, pronto para beber, nada de saquinho dentro. Fiquei lá esperando o prato, tomando o chá que nem era tão bom (adstringente e vai ficando enjoativo); a loja estava calma e realmente é um bom lugar. Mas eis que o prato não chegou. Passou mais de meia hora até eu achar que não deveria demorar tanto assim pra preparar, nem que tivesse que cozinhar o frango inteiro. Reclamei (reclamar é algo que não se aprende nas aulas de inglês, realmente, mas foi ok), e o funcionário que me atendeu disse que ele tinha esquecido. Daí é complicado. Fiquei magoado e nem comprei chá em folha nem nada mais. E as chicken rice balls eram bem boas e nutritivas, mas servem sem faca, fica difícil você tentando ser chique na Madison Avenue tendo que cortar bolas densas de arroz com um garfo em cima de uma tabuinha. Aqui os atendentes levam o seu pedido na mesa, não ficam chamando teu nome de forma que você não entende. Tem wifi do Google, como nos Starbucks.

http://www.teavana.com
Endereço da loja: 1142 Madison Ave, New York



Casas de chá do próximos post: Argo Tea e Alice's Tea Cup.


3 de maio de 2015

Tomando chá no aeroporto de Guarulhos

Starbucks e sua mesa coletiva
Então temos que ficar esperando no aeroporto por horas e queremos tomar chá, em Guarulhos onde podemos ir? Conheço dois lugares. O primeiro é o Starbucks, no terminal 2. Perdi a oportunidade de falar das experiências com chás no Starbucks em Lisboa, ano passado. Mas ali por Guarulhos a coisa é mais ou menos assim: não importa o tipo de chá que você peça (preto, verde ou chai), eles colocam um saquinho com chá de aparência muito boa (da marca própria deles, Tazo) em um copo descartável com quase meio litro de água fervendo e te dão. Você sai se queimando todo, esperando aquilo esfriar. Se não tiver a presença de espírito de abrir o copo e tirar o chá de lá depois de um tempinho (como é apropriado fazer), vai tomar um chá forte e amargo após esperar uns 15 minutos pra ele chegar numa temperatura tomável.

Copo do Starbucks com seu chá
O outro lugar para tomar chá é no terminal 3, onde fica o café Suplicy. É todo bonitão, com decoração preta e rosa, e com mesinhas agradáveis. Lá no Suplicy eles têm chás da marca Or Tea?, que são muito bons, com folhas inteiras em saquinhos decentes. Mas o serviço foi um tanto ruim quando lá estive. Você pede no caixa e eles vão preparar o chá e te chamam no balcão para pegar (estilo mesmo Starbucks, o que está ok). A atendente do caixa não estava por dentro do processo de pedidos de chá, ficou toda perdida, tive que ajudar e mostrar quais eram os chás e qual eu queria (falta de treinamento, hein). Depois eles me chamaram pra pegar o chá, passando a bandeja por cima de outras coisas; uma parte da água virou no processo, já que pegar uma bandeja com uma xícara cheia de água quente no ar não é assim tão fácil. O fato de virar um pouco de água é algo importante neste caso, já que servem o chá em uma xícara de café, que é bem menor do que os esperados 200ml de uma xícara de chá. Investimento em utensílios apropriados para quê, não é? (Aqui em Porto Alegre temos o Z Café na rua Padre Cacique, que serve os mesmo chás de uma maneira muito melhor - falarei deles em breve)


Daí você vê, têm um ambiente bacana, um nome famosinho, mas não estão muito preocupados com serviço que oferecem. Havia três funcionárias para atender no caixa, preparar os pedidos, entregá-los e cuidar da organização das mesas. Não me parece pouco até, mas falta de treinamento e de investimento no conhecimento dos colaboradores acerca do que eles servem foi visível.

Oferecer algo mais ou menos só porque é no aeroporto é a tendência 2015? Ter um empreendimento que só quer vender, não se importando com o bem servir daquilo que os clientes pedem é praticamente a mesma coisa que qualquer boteco faz (e olha que tem boteco que já evoluiu).

Tomar chá em xícara de café, quem quer?

(Texto baseado nas visitas ao aeroporto em agosto de 2014 e abril de 2015)

4 de agosto de 2014

Onde servem chá: Tea Connection - São Paulo (2014)

Estive em São Paulo e quis visitar somente as casas de chá que foram mais agradáveis de estar ano passado, o que se resumiu à Tea Connection e ao Bistrô Ó-Chá. Pois nesta primeira o negócio não foi tão bom assim desta vez, no que se refere aos chás. Então este post é mais para não recomendar a Tea Connection, infelizmente.


Já havia falado de alguns problemas notados ano passado, no que se refere ao preparo do chá na mesa, principalmente ao fato de o chá ser colocado no bule após a água (e assim ficar algumas folhas boiando, sem serem infusas). Pois agora é pior. Resolveram diminuir a quantidade de água no bule (antes dava para mais de três xícaras - o que era ruim pra quem está sozinho, aliás), só que o infusor não vai até o fundo, assim agora a água  mal toca nas folhas, só dá uma molhadinha por baixo, as de cima ficando completamente secas e fora d'água.

Ora, para fazer uma INFUSÃO, é necessário que as folhas estejam na água. Óbvio e fácil, mas tive que quase discutir com o atendente para que colocassem mais água no bule: ele ficava insistindo que assim ia ficar ótimo e que ia dar uma xícara e meia de chá (como quem diz "não é pouco, não"); mas minha preocupação não era a quantidade de chá que ia resultar, mas na água saborizada que ia ser, um chá fraco sem gosto.


Ok, colocaram então mais água (desta vez POR CIMA das folhas, meus parabéns!), mas com a função toda o chá ficou uma merda de qualquer forma (mas não tava fraco, pelo menos). O atendente também manifestou a preocupação de a água não ficar em contato com as folhas depois da primeira xícara ser servida (motivo pelo qual devem ter diminuído a água), como eu havia reclamado ano passado, e realmente com mais água no bule a segunda xícara fica amarga pois a infusão continua até mais chá ser servido.

Bom, se você tem uma casa de chá e não consegue achar um jeito decente de fazer um chá bom, algo está errado. Do jeito que está, está ruim. O ambiente é agradável, as comidas são interessantes, mas o "tea" não está com muita "connection".



Ah, e continuam com aquelas informações erradas na cardápio, identificando oolong como chá vermelho (why, god, why?), na mesma categoria do pu-erh. Será que é pra poupar espaço no cardápio ou não sabem a diferença?


Parece o típico lugar que entra na onda de algo hype só pra ser cool num bairro elegante, mas perde a mão no essencial. É uma rede de lojas de origem argentina, a propósito; imaginaria-se que algum know how de chás deveriam ter, e não apenas seriam um restaurante/lancheria/bistrô onde servem chás à la loca.

Claro que o público que vai está se lixando pro jeito tosco que servem o chá, qualquer coisa vão achar bom e bonitinho ("ai, tem uma ampulheta, então é gourmet"), ou, mais certo, não vão achar bom mas vão pensar que é assim mesmo, "chá é assim sem graça". E não estou dizendo que as pessoas são estúpidas, mas geralmente não sabem o que é um bom chá nem como se faz apropriadamente - uma boa casa de chá é para isso, por isso tem obrigação de servir da melhor forma.

Uns dias depois fui em um café na Consolação que servia chás da Tea Connection (outro post virá para ele). E eis que a forma deles servirem é bem mais efetiva e resulta melhor: te trazem uma xícara com água quente, uma ampulheta e um infusor tipo bola com o chá dentro: você faz a infusão e tira depois que ficar pronto. Mais fácil e melhor. E, claro, há sempre a opção básica de servir o chá já pronto - se você tiver quem faça bem feito e bem cuidado, claro.

Tea Connection
Onde: Alameda Lorena, 1271 - Jardim Paulista - São Paulo
http://www.teaconnection.com.br

24 de março de 2014

Onde servem chá: Casa Alves - Gramado

Ficando uns dias em Gramado em fevereiro, fui procurar onde tomar chá. A casa de chá mais famosa seria a Casa Vittorio, para a qual me encaminhei animado, mas dei com a cara na porta. Estava fechada, sem nenhum aviso na porta e sem ser comunicado nada na página do Facebook (cuja última atualização era de dezembro, portanto agora imagino que não abra nos meses de janeiro/fevereiro). Com a frustração em alta, acabei encontrando um bistrô simpático que serve os chás da The Gourmet Tea.

O local se chama Casa Alves, fica junto à igreja, bem na frente do chafariz (a tal Fonte do Amor Eterno) . Pedi um chá da variada carta e para minha surpresa eles fazem da mesma forma que a The Gourmet Tea original: trazem as folhas à mesa, com a água e um desses negócios de fazer chá cujo nome não existe (na foto abaixo), mais o cronômetro para cuidarmos o tempo. A diferença é que aqui o garçom fez tudo, além de colocar as folhas e a água, ficou aguardando próximo à mesa para servir o chá quando tocasse o reloginho (o que imagino que não seja muito prático de se fazer quando o bistrô está cheio, afinal o garçom fica meio preso ao tempo do seu chá).
 

Apesar do local agradável e dessa experiência sempre interessante do chá sendo infuso na mesa, acabou resultando na pior xícara de chá dos últimos tempos. Imagino que a água estivesse quente demais para o chá, e que havia mais folha do que se espera para uma xícara de 200ml. A infusão ficou amarguíssima, completamente deixando uma sensação ruim na boca - e como eu já disse aqui, chá bom não é para ser amargo, não é para não ter nenhum gosto a não ser da sua própria amargura.

Assim que serviu a xícara, o garçom foi colocar água novamente no troço de chá, para fazer uma segunda infusão com as mesmas folhas (o que é ótimo); no entanto, não entendi o esquema disso: se para fazer a infusão precisamos de dois minutos, isso me obrigaria a tomar a xícara em dois minutos, que seria quando o alarme tocaria novamente. E aí? E se não tivesse tomado? Como faz? Deixa o chá em infusão, ficando cada vez mais amargo? Ou engole tudo o que resta na xícara de uma vez só, para poder servir de novo? No caso, eu não quis que ele fizesse a segunda infusão, porque só uma xícara para mim era suficiente (e até foi demais).




Embora a infusão tenha resultado de baixa qualidade, o preço era digno de uma xícara excelente: R$ 12,00 mais 10% do serviço. Longe de mim querer dizer quanto se deve cobrar, mas realmente se você faz esse preço, o mínimo que se pode esperar é um alto cuidado com o que você oferece, para que seja pelo menos uma experiência razoável. Mas ali falharam neste ponto.

Casa Alves
Boulevard São Pedro - Av. Borges de Medeiros, 2659 - Gramado - RS
https://www.facebook.com/pages/Casa-Alves/544520652244059


7 de fevereiro de 2014

Onde servem chá: El Té - Porto Alegre

Se não tivesse me dado férias do blog já teria falado da El Té antes, mas também não vou fazer um post sobre ela agora, só quero falar sobre os chás gelados que servem lá. Olha, neste calor sem igual das últimas semana, poucas coisas agradam mais do que um bom chá gelado (eu, que nunca fui disso, tenho inclusive feito todos os dias em casa, porque chá quente ultimamente anda meio complicado pra tomar - embora eu tome vez ou outra também).

Pois lá na El Té você pode escolher um dos chás da extensa lista de sabores disponíveis (mais de 30) para ser servido gelado (e eu posso recomendar especialmente o Madrid e o Jade Flow, que eu tenho em casa e ficam ótimos na versão gelada) , mas o plus a mais são os coquetéis com chá, frutas e outras coisinhas mais.



Temos 5 opções para escolher desses coquetéis elaborados, e eu provei três delas: o Frutilla, que junta chá verde, morango e hortelã; o El Té, que é chá verde, laranja e hortelã; e o Arnold Palmer, uma combinação equilibrada de chá preto, suco de limão, um toque de mel e cerejas pra completar. Estes dois últimos são os que estão na foto - e tudo o que eles têm de bonitos têm de gostosos.

Para acompanhar, há bolos, quiches e outras opções (algumas inclusive sem glúten e/ou lactose, o que é uma maravilha).

Mais tarde falarei mais sobre a casa de chás, só queria mesmo recomendar as bebidas refrescantes (e sem iguais em Porto Alegre) que há por lá, num ambiente climatizado, agradável e com wi-fi grátis.

A El Té fica ali na 24 de outubro, 111, loja 35, na esquina com a Miguel Tostes, bairro Moinhos de Vento.  Mais informações: https://www.facebook.com/elte.casadechas


27 de janeiro de 2014

Onde servem chá: The Gourmet Tea - São Paulo

Seguindo os posts atrasados sobre as casas de chá de São Paulo, no The Gourmet Tea minha experiência foi um pouco confusa. Primeiro porque os atendentes aparentemente não sabiam o número da minha mesa (e isso acarretou desencontros, com pedidos de outra pessoa vindo para mim e coisas que eu pedi não aparecendo na conta), segundo porque o primeiro chá que eu pedi veio errado – o que é bastante grave para uma casa de chá:  pedi um oolong (China Quilan) e me trouxeram uma infusão de rooibos. Eu percebi na hora porque conhecia e pedi para trocar, mas quem não conhecesse e tomasse poderia ter sido prejudicado.

Na carta de chás havia 33 opções, e eles vêm para serem preparados na mesa pelo cliente - e aí está o maior charme do local: a água, as folhas, um infusor desses aí da foto e um cronômetro, que já está configurado com o tempo indicado para o seu chá. Quando o cronômetro zera você só precisa posicioná-lo sobre o copo e o chá é coado e está pronto para tomar.

A porção é individual (não é um bule), servida em copos transparentes de parede dupla da Bodum. Pedi um outro chá, o White Passion (chá branco com especiarias), que veio certo, e comi também uma boa empada (mas gordurosa) e uma salada de frutas (servida em uma tigela de sopa, como se fosse uma sopa mesmo, com bastante caldo e pouca fruta). Apesar da atrapalhação com o número da mesa o atendimento foi bom, atencioso e simpático.

Os chás da marca ficam em exposição nas suas latinhas coloridas (não são latas, na verdade, são de papelão) e você pode comprar qualquer sabor facilmente. Eu comprei o China Jasmine Tea, sobre o qual espero escrever aqui se o blog sobreviver às intempéries.





The Gourmet Tea
Rua Mateus Grou, 89 - Pinheiros, São Paulo
http://www.thegourmettea.com.br



26 de janeiro de 2014

Onde servem chá: Bistrô Ó-Chá - São Paulo (2013)

Pois fiquei tanto tempo sem escrever que perdeu a continuidade e a lógica dos posts “onde tomar chá em São Paulo”. Ficaram meio perdidas no tempo as visitas às casas de chá, então vou fazer resumidamente os textos a partir de agora, assim me livro deste carma e sigo em frente com o blog (ou não). Levando em consideração que as visitas aconteceram em maio de 2013, vamos começar...



Já havia falado sobre a Tea Connection, que foi uma experiência positiva, então vou começar por outra das mais positivas, o Bistrô Ó-Chá. Fui lá almoçar, e pedi um ótimo frango ao molho de frutas secas e cacau com arroz de cenoura. Depois pedi um chá, que a gente escolhe de uma carta de chás variada e bonita. Pedi o Pérola do oriente, que tem notas de maracujá. O chá já vem preparado, em um bule de barro. A xícara tem formato de flor, e, apesar de parecer estranho, é uma forma boa para beber. O bule tem a problemática de vir com chá demais para quem está sozinho (3 xícaras), o que fez me empanturrar com o primeiro chá e acabei não pedindo o segundo. De acordo com minhas anotações, a última xícara deixava um aftertaste amargo na boca (provavelmente algum resíduo das folhas ficou no fundo do  bule). 

O ambiente do bistrô é muito bonito, com decoração descolada e aconchegante, aparentando despreocupação e desarrumação (mas uma desarrumação arrumada, que é a melhor). Atendimento simpático e eficiente, música suave tocando.

  

Bistrô Ó-Chá
Rua Aspicuelta, 258 (tem novo endereço: agora no número 194) - Vila Madalena - São Paulo
https://pt-br.facebook.com/pages/Bistrô-Ó-Chá/249557331738343



27 de maio de 2013

Onde servem chá: Tea Connection - São Paulo (2013)

Começando aqui os textos sobre casas de chá de São Paulo, para onde eu fui na outra semana. Acho que só ouvi falar na Tea Connection quando comecei a preparar o roteiro de visitação. Foi a primeira casa de chá que visitei na viagem  - e isso acabou me prejudicando um pouco, como explicarei depois.

A Tea Connection fica no bairro Jardim Paulista, próximo à rua Augusta e à Oscar Freire, uma charmosa região nobre da cidade que eu já conhecia e para a qual sempre é um prazer voltar. A loja é grande, bem iluminada e com um ambiente muito calmo (pelo menos quando lá estive, numa sexta-feira por volta das 11h).


O cardápio contempla opções de chás (não muitas, mas bastante instigantes), alguns tipos de salgados, doces e opções de almoço e outras bebidas. Pedi um Kiwi Moon inicialmente, que consiste em chá verde japonês sencha, chá branco e pedacinhos de kiwi. Daí eles trazem um bule com água quente (notem que o bule é envolto num "agasalho" clorido, que deve ser para manter a temperatura por mais tempo), uma ampulheta e um infusor com as folhas do chá. O infusor a gente coloca, então dentro do bule e aguarda o tempo recomendado (neste caso, dois minutos).


Aqui me deparo com a problemática de fazer o chá na mesa. Apesar de muito mais lúdico e interessante, e possibilitando um maior controle por parte de quem vai tomar, o fato de você colocar o infusor com as folhas num bule onde a água já está acaba resultando em que nem todas as folhas vão ser infusas, algumas vão ficar boiando, sem contato com a água, ou com contato desigual com as outras que ficaram embaixo e foram ao fundo.

Talvez por conta disso - ou porque tinha pouca quantidade de chá para o montante de água, ou porque é assim mesmo -, o chá era suave demais. O próximo que pedi também sofreu (provavelmente mais) com esta fatalidade, ficando, digamos, 15% dele sem ser apropriadamente infuso.

Esse segundo, o Arabis, consiste em oolong, pétalas de calêndula, pétalas de rosas amarelas e aroma de limões do mediterrâneo. Como o outro, muito agradável, porém suave demais também. Isso acabou me dando uma sensação de chás blasé que me desestimulou a comprar uma (ou duas) latinhas para trazer para casa, afinal eu gosto de sabores mais profundos e intensos e esses me lembravam chás para senhoras no meio da tarde.


Também aqui me deparei com outra problemática, que me acompanharia na maioria das casas de chá que visitei por lá: eles te trazem UM BULE de chá, não uma xícara. Assim, você tem que tomar de TRÊS A QUATRO XÍCARAS para acabar com tudo, ou viver com a consciência pesada por ter desperdiçado um bom chá importado desde o outro lado do mundo. Além de ficar com a bexiga cheia, você realmente fica tonto por causa da cafeína.

Recomendo, pois, comer algo junto com seu chá (os efeitos da cafeína se acalmam, pelo menos você não fica tremendo). Lá eu pedi um ótimo muffin de cogumelos com queijo gruyère e espinafre, bem fofo e de sabor proeminente.

Outra problemática com o sistema por eles adotado: a água fica em contato com as folhas, no infusor, mesmo depois de servir a primeira xícara. Deve ser porque eles pensam que ninguém vai ir lá tomar um bule de chá sozinho - mas, sim, algumas pessoas vão. Assim, a infusão vai se prolongando e o chá acaba ficando mais amargo nas próximas xícaras.


Apesar dos pesares, das cinco casas de chá que visitei, foi uma das duas que eu mais gostei de visitar em São Paulo (junto com o Bistrô Ó-Chá, ficou no topo da lista), por causa dos chás interessantes, da boa variedade de comida, do ambiente agradável e do bom atendimento. Aliás, eles disponibilizam wi-fi aberta e algumas tomadas nas mesas perto da parede (ótimo para recarregar o celular).

Como disse no início, ter ido lá logo no primeiro dia me prejudicou um pouco porque acabei me desapontando com as casas de chá mais conhecidas e com os chás que acabei comprando, daí me arrependi por não ter comprado os chás deles. Mas já era tarde, não consegui voltar lá nos outros dias e fiquei sem o chá verde com kiwi, que faria um grande sucesso aqui em casa.


Prolongando um pouco o assunto, no cardápio eles dividem os chás por cores, o que está corretíssimo, só que eles fazem uma misturança quando nomeiam "chá vermelho": sob este título colocam os oolongs, que não têm nada com isso, misturados com uma opção de pu-erh, que é o que geralmente tem se chamado de vermelho por aqui, como já falei no texto "O que é chá vermelho (ou não)". Informações erradas que vão formando equivocadamente as ideias das pessoas que se interessem em aprofundar um pouco o assunto (se bem que, realmente, cardápio não é lugar para se aprofundar, mas espera-se que uma casa de chá saiba bem o que é o que).

Tea Connection
Onde: Alameda Lorena, 1271 - Jardim Paulista - São Paulo
http://www.teaconnection.com.br


15 de maio de 2013

Onde servem chá: Clarita - Porto Alegre

Começando uma série de textos que tratam dos lugares para tomar um bom chá em Porto Alegre. A Clarita foi o primeiro lugar que eu visitei aqui que abençoadamente não serve chá de saquinho, mas sim os chás e infusões da The Gourmet Tea, que, embora não sejam os melhores do mercado, são infinitamente superiores a qualquer produto em saquinho nacional.


Funciona assim: a gente pede para o garçom a carta de chás e ele traz uns cartõezinhos com os sabores disponíveis, cada um explicando genericamente o que o chá (ou a infusão) é. Antigamente havia mais sabores disponíveis, neste fim de semana, quando eu fui lá, só havia quatro e nenhum me agradava, então nem pedi (estão talvez deixado de servir chá, o que seria uma pena).

Depois de feito o pedido, em alguns minutos nos trazem a xícara com o chá já preparado, tampada com um pires. As xícaras são largas, de porcelana fina, muito agradáveis de tomar.

China Jasmine tea

Já cheguei a tomar lá o "White bergamot", uma versão de earl grey tendo como base chá branco; também tomei o "Five elements balancing", que tem oolong como base e acabou sendo meu preferido, só que desapareceu da carta de chás antes de eu poder voltar e pedir novamente.

Das vezes que me serviram esses, as infusões vieram talvez um pouco fortes, mas ainda muito agradáveis e - o que mais me agradou - não estavam muito quentes, o que não sei se se deve ao controle de temperatura correto para cada chá, ou ao fato de fazerem com água não fervente indiscriminadamente para todos os chás - o que prejudicaria os que pedem água fervente.

Sanduíche Ibérico
Mais recentemente pedi um "China jasmine tea", que, pelo que diz a marca, tem jasmim como único ingrediente, apesar de não estar claro no que a marca divulga, é chá verde aromatizado com jasmim. Ok, parecia interessante, mas, como sabemos, qualquer bom chá pode ser estragado com o preparo errado e deve ter sido o que aconteceu. Esqueceram de trazer o pedido da minha mesa, só nos trouxeram quando lembramos o garçom, mais de 15 minutos depois, e pelo jeito que a bebida veio, acredito que todo este tempo o jasmim  chá estava em infusão: estava forte e amargo muito além do razoável; acabei deixando metade na xícara. (Chá, qualquer um que seja chá de verdade, da Camellia sinensis, tem taninos que vão amargando a bebida conforme vai ficando em infusão).

Fica  dica: se esquecerem sua infusão na água quente, peça outra. Chá não é para ser amargo e desagradável.

Chai latte
Também provei o Chai Latte deles, que é identificado como chá indiano com leite e especiarias. Não faço ideia dos ingredientes, mas é bastante agradável: cremoso, com presença marcante do leite e sabores sutis de canela e otras cositas más. Como nunca tomei outro chai, não sei se no mundo dos chais ele é bom, mas eu gostei bastante.

O ambiente lá é agradável, com boas opções de sanduíches, lanches e doces, além de ser também uma boulangerie (recomendo o pão australiano).


Para comprar chá há algumas opções da marca Dhilmah, que eu nem conhecia e parece ser promissora, importados do Sri Lanka (o antigo Ceilão, famoso por seus chás pretos) - ainda não comprei. Não estão vendendo mais as latinhas da The Gourmet Tea.

Clarita - Pães e delícias do mundo 
Onde: Rua Gen. João Telles, 237 - Porto Alegre - RS
www.claritadelicias.com.br



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