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4 de agosto de 2014

Onde servem chá: Tea Connection - São Paulo (2014)

Estive em São Paulo e quis visitar somente as casas de chá que foram mais agradáveis de estar ano passado, o que se resumiu à Tea Connection e ao Bistrô Ó-Chá. Pois nesta primeira o negócio não foi tão bom assim desta vez, no que se refere aos chás. Então este post é mais para não recomendar a Tea Connection, infelizmente.


Já havia falado de alguns problemas notados ano passado, no que se refere ao preparo do chá na mesa, principalmente ao fato de o chá ser colocado no bule após a água (e assim ficar algumas folhas boiando, sem serem infusas). Pois agora é pior. Resolveram diminuir a quantidade de água no bule (antes dava para mais de três xícaras - o que era ruim pra quem está sozinho, aliás), só que o infusor não vai até o fundo, assim agora a água  mal toca nas folhas, só dá uma molhadinha por baixo, as de cima ficando completamente secas e fora d'água.

Ora, para fazer uma INFUSÃO, é necessário que as folhas estejam na água. Óbvio e fácil, mas tive que quase discutir com o atendente para que colocassem mais água no bule: ele ficava insistindo que assim ia ficar ótimo e que ia dar uma xícara e meia de chá (como quem diz "não é pouco, não"); mas minha preocupação não era a quantidade de chá que ia resultar, mas na água saborizada que ia ser, um chá fraco sem gosto.


Ok, colocaram então mais água (desta vez POR CIMA das folhas, meus parabéns!), mas com a função toda o chá ficou uma merda de qualquer forma (mas não tava fraco, pelo menos). O atendente também manifestou a preocupação de a água não ficar em contato com as folhas depois da primeira xícara ser servida (motivo pelo qual devem ter diminuído a água), como eu havia reclamado ano passado, e realmente com mais água no bule a segunda xícara fica amarga pois a infusão continua até mais chá ser servido.

Bom, se você tem uma casa de chá e não consegue achar um jeito decente de fazer um chá bom, algo está errado. Do jeito que está, está ruim. O ambiente é agradável, as comidas são interessantes, mas o "tea" não está com muita "connection".



Ah, e continuam com aquelas informações erradas na cardápio, identificando oolong como chá vermelho (why, god, why?), na mesma categoria do pu-erh. Será que é pra poupar espaço no cardápio ou não sabem a diferença?


Parece o típico lugar que entra na onda de algo hype só pra ser cool num bairro elegante, mas perde a mão no essencial. É uma rede de lojas de origem argentina, a propósito; imaginaria-se que algum know how de chás deveriam ter, e não apenas seriam um restaurante/lancheria/bistrô onde servem chás à la loca.

Claro que o público que vai está se lixando pro jeito tosco que servem o chá, qualquer coisa vão achar bom e bonitinho ("ai, tem uma ampulheta, então é gourmet"), ou, mais certo, não vão achar bom mas vão pensar que é assim mesmo, "chá é assim sem graça". E não estou dizendo que as pessoas são estúpidas, mas geralmente não sabem o que é um bom chá nem como se faz apropriadamente - uma boa casa de chá é para isso, por isso tem obrigação de servir da melhor forma.

Uns dias depois fui em um café na Consolação que servia chás da Tea Connection (outro post virá para ele). E eis que a forma deles servirem é bem mais efetiva e resulta melhor: te trazem uma xícara com água quente, uma ampulheta e um infusor tipo bola com o chá dentro: você faz a infusão e tira depois que ficar pronto. Mais fácil e melhor. E, claro, há sempre a opção básica de servir o chá já pronto - se você tiver quem faça bem feito e bem cuidado, claro.

Tea Connection
Onde: Alameda Lorena, 1271 - Jardim Paulista - São Paulo
http://www.teaconnection.com.br

27 de maio de 2013

Onde servem chá: Tea Connection - São Paulo (2013)

Começando aqui os textos sobre casas de chá de São Paulo, para onde eu fui na outra semana. Acho que só ouvi falar na Tea Connection quando comecei a preparar o roteiro de visitação. Foi a primeira casa de chá que visitei na viagem  - e isso acabou me prejudicando um pouco, como explicarei depois.

A Tea Connection fica no bairro Jardim Paulista, próximo à rua Augusta e à Oscar Freire, uma charmosa região nobre da cidade que eu já conhecia e para a qual sempre é um prazer voltar. A loja é grande, bem iluminada e com um ambiente muito calmo (pelo menos quando lá estive, numa sexta-feira por volta das 11h).


O cardápio contempla opções de chás (não muitas, mas bastante instigantes), alguns tipos de salgados, doces e opções de almoço e outras bebidas. Pedi um Kiwi Moon inicialmente, que consiste em chá verde japonês sencha, chá branco e pedacinhos de kiwi. Daí eles trazem um bule com água quente (notem que o bule é envolto num "agasalho" clorido, que deve ser para manter a temperatura por mais tempo), uma ampulheta e um infusor com as folhas do chá. O infusor a gente coloca, então dentro do bule e aguarda o tempo recomendado (neste caso, dois minutos).


Aqui me deparo com a problemática de fazer o chá na mesa. Apesar de muito mais lúdico e interessante, e possibilitando um maior controle por parte de quem vai tomar, o fato de você colocar o infusor com as folhas num bule onde a água já está acaba resultando em que nem todas as folhas vão ser infusas, algumas vão ficar boiando, sem contato com a água, ou com contato desigual com as outras que ficaram embaixo e foram ao fundo.

Talvez por conta disso - ou porque tinha pouca quantidade de chá para o montante de água, ou porque é assim mesmo -, o chá era suave demais. O próximo que pedi também sofreu (provavelmente mais) com esta fatalidade, ficando, digamos, 15% dele sem ser apropriadamente infuso.

Esse segundo, o Arabis, consiste em oolong, pétalas de calêndula, pétalas de rosas amarelas e aroma de limões do mediterrâneo. Como o outro, muito agradável, porém suave demais também. Isso acabou me dando uma sensação de chás blasé que me desestimulou a comprar uma (ou duas) latinhas para trazer para casa, afinal eu gosto de sabores mais profundos e intensos e esses me lembravam chás para senhoras no meio da tarde.


Também aqui me deparei com outra problemática, que me acompanharia na maioria das casas de chá que visitei por lá: eles te trazem UM BULE de chá, não uma xícara. Assim, você tem que tomar de TRÊS A QUATRO XÍCARAS para acabar com tudo, ou viver com a consciência pesada por ter desperdiçado um bom chá importado desde o outro lado do mundo. Além de ficar com a bexiga cheia, você realmente fica tonto por causa da cafeína.

Recomendo, pois, comer algo junto com seu chá (os efeitos da cafeína se acalmam, pelo menos você não fica tremendo). Lá eu pedi um ótimo muffin de cogumelos com queijo gruyère e espinafre, bem fofo e de sabor proeminente.

Outra problemática com o sistema por eles adotado: a água fica em contato com as folhas, no infusor, mesmo depois de servir a primeira xícara. Deve ser porque eles pensam que ninguém vai ir lá tomar um bule de chá sozinho - mas, sim, algumas pessoas vão. Assim, a infusão vai se prolongando e o chá acaba ficando mais amargo nas próximas xícaras.


Apesar dos pesares, das cinco casas de chá que visitei, foi uma das duas que eu mais gostei de visitar em São Paulo (junto com o Bistrô Ó-Chá, ficou no topo da lista), por causa dos chás interessantes, da boa variedade de comida, do ambiente agradável e do bom atendimento. Aliás, eles disponibilizam wi-fi aberta e algumas tomadas nas mesas perto da parede (ótimo para recarregar o celular).

Como disse no início, ter ido lá logo no primeiro dia me prejudicou um pouco porque acabei me desapontando com as casas de chá mais conhecidas e com os chás que acabei comprando, daí me arrependi por não ter comprado os chás deles. Mas já era tarde, não consegui voltar lá nos outros dias e fiquei sem o chá verde com kiwi, que faria um grande sucesso aqui em casa.


Prolongando um pouco o assunto, no cardápio eles dividem os chás por cores, o que está corretíssimo, só que eles fazem uma misturança quando nomeiam "chá vermelho": sob este título colocam os oolongs, que não têm nada com isso, misturados com uma opção de pu-erh, que é o que geralmente tem se chamado de vermelho por aqui, como já falei no texto "O que é chá vermelho (ou não)". Informações erradas que vão formando equivocadamente as ideias das pessoas que se interessem em aprofundar um pouco o assunto (se bem que, realmente, cardápio não é lugar para se aprofundar, mas espera-se que uma casa de chá saiba bem o que é o que).

Tea Connection
Onde: Alameda Lorena, 1271 - Jardim Paulista - São Paulo
http://www.teaconnection.com.br


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