10 de abril de 2020

Onde comprar chás chineses: TeaVivre

Quando a gente curte um bom chá vira uma questão às vezes problemática onde comprar um bom chá. Agora no Brasil há várias iniciativas que providenciam bons chás ao público, sejam eles brasileiros mesmo ou importados e vendidos aqui. Posso indicar a Infusorina e a El Té, só para citar alguns que estão há bastante tempo no mercado,.

Antes (mais de 4 anos pra trás) não havia tantas possibilidades por aí, o que restava era importar. Eu gostava de comprar pelo Ebay até descobrir uma empresa que tem um site lindo de vendas, chamada TeaVivre. Pois é lá que ainda compro chás quando meu interesse são os puros chás da China.

Digo um site lindo porque eles trazem informações detalhadas de cada chá, e isso é uma maravilha pra quem se interessa pelos pormenores da bebida. Dados como data de colheita, local da plantação, quantidade de cafeína e etc são bem interessantes para se saber.

Eis alguns dados do chá "Fengqing Dragon Pearl Black Tea":



Acho ótimo que se preocupem com todas essas informações.

Já comprei umas quatro vezes lá. Na última vez, acumulando pontos pelas outras compras, consegui um bom desconto no pedido, fica a dica.

É de lá que peço, por exemplo, o Keemun que é o chá preto que bebo com mais frequência e acho uma delícia. Outro exemplo do que comprar deles é o Dragon Well, um dos mais famosos chás verdes. Ou o Lapsang Souchong, preto bem defumado com sabor forte característico. Ou então algum chá branco como o Silver Needle (não meu favorito mas é famoso), ou os oolongs mais oxidados (como o Rou Gui ou o Da Hong Pao, ótimos), ou algum pu-ehr bem pegado (tem um que vem dentro de uma tangerina que é bem divertido - este da foto abaixo).



Até ano passado eles disponibilizavam pacotinhos tamanho amostra para você pedir, de 7 ou 8 gramas, daí pedindo dois de cada já dava um bom acervo para beber algumas xícaras. Agora só consegui ver pedidos a partir de 100g, o que limita um pouco o que se pode pedir, é verdade, mas fiquem com minhas dicas do parágrafo anterior e explorem o site deles, que tem outras várias possibilidades de sabores.

Pra quem está interessado em chás puros chineses, aqui no Brasil a Chá Yê trabalha com esses tipos de chás, que eles vão buscar todo ano lá na China mesmo, e o site deles também tem muitas informações bacanas.


10 de março de 2020

Bubble tea ou chá com pobá, em São Paulo

Vou publicar este texto que eu escrevi há uns dois anos mas nunca tinha publicado por estar esperando eu editar as fotos que fiz lá na loja, algo que nunca mais aconteceu. A loja já se mudou de localização (está maior e mais bonita agora), mas tudo que falo no texto ainda é verdade. 

Sempre que vou a São Paulo vou na Tea Station. E nunca falei nada aqui no blog. Mas agora vou falar, sim.

Eles lá servem bubble tea. Não tem exatamente um nome pra chamar isso em português. Eles mesmos chamam de chá com pobá (em outros lugares pode ser "suco de pobá"). "Pobá" sendo então as "bubbles" do nome em inglês, que são, então, essas bolas que vocês podem ver na bebida nas fotos. São mais ou menos iguais sagu, só que bem maiores e geralmente são pretas. Mas são isso: sagus gigantes. Se você nunca provou pode parecer muito estranho ou ruim pensar nisso, mas na verdade são muito boas e muito agradáveis de tomar.

As bolinhas, então, assim como sagu, são feitas de mandioca (em inglês, são chamadas "tapioca pearls"). São colocadas num chá gelado, com ou sem leite, com ou sem outras coisas. E você toma e come ao mesmo tempo. Acho bem divertido e agradável.



Pois na Tea Station temos o melhor pobá do bairro da Liberdade. Subindo a rua lateral temos um outro lugar que também serve, já tomei lá também mas achei complicado de pedir, então nunca mais fui.

Temos diferentes opções para pedir na Tea Station. Eu, como intolerante à lactose, sempre peço sem leite. Minhas recomendações são: chá vermelho com mel e pobá, e chá verde com pobá. Eles fazem lá o preparo usando (acredito) um concentrado de chá e os outros ingredientes e te entregam um copo lacrado e um canudo grosso o suficiente pra passar as bolinhas de cerca de um centímetro.

Se tiver lugar disponível, é bom sentar um pouco dentro do estabelecimento e aproveitar o visual das centenas de bilhetes coloridos colados na parede.

O serviço deles é eficiente, rápido e a bebida é gostosa, as bolotas são firmes mas macias, agradáveis de mastigar, e o chá é adoçado mas realmente tem gosto de chá. (Aliás, eles usam a nomenclatura de cor da china para indicar a cor do chá: na verdade o chá vermelho é o que chamamos chá preto).

Aproveitando que vou na Liberdade tomar bubble tea, faço uma pequena excursão aos mercadinhos orientais da rua Galvão Bueno e compro muitas coisas diferentes por lá. Sempre uma aventura.

Crédito da foto: Facebook da loja. Visite para mais informações.

Agora a Tea Station fica na Rua da Glória, 326, no subsolo (tem uma escada pra vc descer).

Clique aqui para um Vídeo sobre a Tea Station que não consegui publicar aqui.

1 de agosto de 2017

Starbucks vende a rede de casas de chá Teavana

Dei aqui no blog "em primeira mão" quando o Starbucks comprou a rede Teavana, que era a maior rede de casas de chá com Estados Unidos, lá em 2012. E agora eis que temos a notícia de que vão fechar tudo.

Havia toda uma expectativa do que iria acontecer, e eles tiveram como objetivo tirar as lojas de dentro dos shoppings, como eram (só chá pra levar e pra comprar as folhas, sem mesas), e transformá-las em algo tipo o Starbucks mesmo, uma casa de chá onde você vai, escolhe entre diversos tipos de bebidas do cardápio (ou da parede de chás, onde estavam todos os chás, em latas), entre vários pratos disponíveis, com diversos atendentes, senta nas mesas/sofás e aproveita o wifi num ambiente climatizado.

Eu mesmo cheguei a visitar uma Teavana em Nova Iorque, bem linda toda, mas com o atendimento dificultoso, que me rendeu esquecerem de fazer o prato que eu havia pedido (daí tive que ir reclamar em inglês, já viu, né). E daí, só porque gostei, cito este trecho do meu texto de então: "E as chicken rice balls eram bem boas e nutritivas, mas servem sem faca, fica difícil você tentando ser chique na Madison Avenue tendo que cortar bolas densas de arroz com um garfo em cima de uma tabuinha."

São, portanto, 379 lojas que eles vão fechar até ano que vem. Não é pouca coisa, são 3.300 empregados.

Como eu li numa página do Facebook chamada Tea Around Town: "Chá não é uma indústria que favorece uma comunidade que não se importa com o que consomem. Chá é uma indústria de educação, de evolução de gostos e conhecimento, e é sobre pensar em ser saudável."


25 de janeiro de 2017

Provando: Amazonia Coco + Chá branco

Encontrei numa loja essa bebida da marca Amazonia, que se diz água de coco com chá branco. Peguei assim, porque queria tomar alguma coisa, na surpresa, sem ler a embalagem nem nada.



Na hora de tomar fui ler, então assim: o primeiro ingrediente é água. Só água mesmo. Por lei, os ingredientes têm que vir em ordem de quantidade, portando o que mais tem na bebida esta é água. Água normal.

Segundo e terceiro ingredientes: água de coco e chá branco. Hum, ok. O que vem a seguir? Sabores adicionados de água de coco e chá branco; aromas concentrados. Muito engraçado. Não tem a quantidade - e a qualidade - suficiente dos ingredientes originais pra dar gosto, eles botam um gosto que veio de laboratório.

Como não sabemos a porcentagem das coisas, não te duvido que tenha, digamos, 70% de água e o restante é que são os ingredientes do marketing e mais os gostos artificiais. Não sei, só imagino.



E o sabor, é bom? Olha, muito bom não é, mas também não é muito ruim. Uma coisa assim média, que nem a desculpa de ter nutrientes do coco e do chá tem, porque devem estar em quantidade pequena. Realmente, não vale a pena.

E tem açúcar também. Pelo menos, lhes digo, o açúcar não é um dos principais ingredientes. Muita coisa se vende por aí como "água de coco" que é uma água com açúcar sabor coco. Aqui este problema não temos, apesar ainda da sua presença.

Você veja que na imagem esta que eles divulgam (lá em cima do post), diz que é sem açúcar. Não percebi se a embalagem que eu comprei vinha dizendo isso (agora já botei fora), acredito que não, pois tem açúcar. Então parece que eles têm uma nova versão que é sem açúcar.


19 de dezembro de 2016

Casas de chá em São Paulo: Bistrô Ó-Chá e The Gourmet Tea

Viajei mais uma vez a São Paulo e fui visitar algumas casas de chás e cafés. Não deu para ir em tudo que eu planejei porque no primeiro dia me empanturrei de chá e só fui nessas duas abaixo, em vez de ir também na Chá Yê e no King of the Fork; mas aqui temos então minhas impressões sobre onde eu fui:

- Bistrô Ó-Chá - sempre foi minha casa de chá preferida por lá, já falei dela aqui e deveria ter feito outro post ano passado, mas não fiz (nem sobre a Chá Yê, que eu visitei em 2015 também e merecia um post). Desta vez não foi tão boa a experiência, apesar da excelente comida, conforme abaixo:

a) fui almoçar e em nenhum lugar lembro de ter visto que eles só servem almoço a partir das 12:30h (e eu sigo eles no Instagram e todo dia tem foto dos pratos do almoço); chegamos um pouco antes das 12h e tivemos que esperar até o tal horário para fazer o pedido de almoço, o que não é exatamente ruim, mas né, horários claros nas divulgações são sempre bons - pra turistas então, que não estão com os horários mais largos do mundo, ainda melhor;



b) não tem cardápio escrito pro almoço, daí o atendente tinha que ficar te dizendo, de cor, todos as opções do dia: 2 entradas e 3 pratos principais, com descrição dos ingredientes; entendo que os pratos são diferentes a cada dia, mas imprimir umas folhas A4 é baratinho e facilitaria muito e deixaria o momento do pedido menos estranho (porque você tem que prestar atenção em tudo e se lembrar de tudo para fazer o seu pedido, daí você não lembra e tem que ficar perguntando) - mesmo escrever com um giz na parede já seria de grande ajuda (na saída vi que escreveram num quadro lá na entrada - quando entramos ainda não tinha, mas igual é na rua); se para nós foi meio complicado, imagina pra quem é estrangeiro e vai comer lá;




c) tem um cardápio enorme impresso de chás quentes, mas não tem nada escrito com os chás gelados disponíveis, o atendente, de novo, tem que ficar te dizendo as 5 ou 6 opções de blends disponíveis (e nenhum, aparentemente, é com chá de verdade, o que tirou um pouco da graça pra mim, mas os sabores disponíveis são bem interessantes);

d) foi R$ 42,00 o almoço, com uma entrada e um prato principal e uma sobremesa e um chá. Preço ótimo, mas a sobremesa era meio matada (MEIO muffin com sorvete);


e) achei que o atendimento pode melhorar; o atendente era meio displicente e a complicação toda de horário e cardápios fez a visita não ser tão legal, além de a criança pequena que estava com umas meninas ter começado a chorar em algum momento; criança chorando é um terror;

f) o arroz com lula, prato que eu pedi, era muito bom: um tempero sensacional;

g) eles servem chá em bule, o suficiente para umas três xícaras, então dá pra dividir se quiser.



Uma foto publicada por Ederson Nunes (@ederson_nunes) em

Saiba mais sobre o bistrô: http://www.bistroocha.com.br/ Ele fica na Rua Alpicuelta, 194. Pra chegar lá, desci na estação Fradique Coutinho e peguei um táxi, porque é um pouquinho longe e tem que ir subindo - obviamente, com muita disposição, se vai a pé.


- The Gourmet Tea - há três anos não ia aqui, fui lá conferir como andam (post anterior aqui). Mais ou menos da mesma forma: é um lugar com cara moderna, colorido, que tem ainda os mesmos sabores de chás (já devo ter provado todos que me interessavam, os que não me interessavam continuam não me interessando).


Pedi um petit gateau pra comer, que veio numa apresentação diferente: o bolinho totalmente coberto pelo sorvete; ele se diz "artesanal" em toda parte no cardápio, mas o sorvete era um pouco duro (não dava pra cortar com a colher sem apertar e transbordar o potinho) e o bolinho um tanto doce demais.



O atendimento foi bom, são simpáticos. Tudo certo, é agradável, tem boa variedade de bebidas, mas não me dá aquele "oh que bom, quero voltar". Eles têm o sistema de você preparar o chá na mesa, o que é charmoso, mas colocando o chá em cima da água (e não o contrário) deve ocasionar algumas infusões mal feitas, por causa da tensão superficial (no meu caso, pedi uma infusão de mate, que é bem picotadinho, deu tudo certo).



Saiba mais sobre a casa: http://www.thegourmettea.com.br/ (esta que eu fui é uma das unidades - a primeira, na Rua Matheus Grou, 89. Tem outras em outros lugares).


Aproveitando, falo que nesses três anos o bairro (Pinheiros) mudou bastante. Agora tem novas estações de metrô e as ruas todas se transformaram em uma concentração de comércio hipster - não tem uma farmácia (não achei mesmo, estava procurando e andei bastante), mas você tropeça em qualquer coisa "gourmet" a cada 10 passos.

24 de novembro de 2016

Chaleira elétrica Arno Gaúcha

Eu usava uma chaleira elétrica com controle de temperatura da Philips, a HD 4631, comprada no Uruguai, era de fabricação argentina e pensada para quem fosse fazer chimarrão (na caixa, inclusive, havia uma foto de uma cuia de "mate") - isso porque a temperatura ideal para a água do chimarrão é em torno dos 75ºC, como já falei aqui no blog.

Essa HD 4631 é bonita, robusta, faz um trabalho ótimo e tem 3 temperaturas: uns 75ºC, uns 90ºC e 100ºC. Recomendo.

Ela estragou depois de mais de 3 anos de uso, e, como não iria ao Uruguai só pra comprar uma, me dediquei à tarefa mais complicada: encontrar uma chaleira elétrica com controle de temperatura no Brasil (isso e um moedor de grão de café decente são artigos raros por aqui). A única que achei, com tamanho bom e valor comprável, foi uma da Arno, chamada de Gauchá (risos).

Pois sim, com este nome, novamente ele é um produto voltado a quem quer fazer chimarrão - e chá, suponho. No manual diz que ela deveria ter também três temperaturas: 75ºC, 85°C e 100ºC.

No entanto, já achamos algo que não está certo quando vemos a caixa. Na verdade, ela não se chama Gauchá, como está em todo lugar na internet, inclusive nas fotos. Ela vem com o acento em outro lugar e se chama Gaúcha.


Tudo bem, eliminaram o trocadilho. Só que a problemática toda é o controle de temperatura dela. Não é bom. Fiz as medições de temperatura e temos assim: na posição inicial do botão ela aquece a água a 85ºC; na posição do meio não faz nenhuma diferença, porque fica sempre igual à inicial; e na posição final ela ferve.

Então temos um produto que promete três, dá dois e ainda com a temperatura errada. Vejam que a temperatura ultrapassa o ideal para o chimarrão, assim sendo irônico que ela se chame "gaúcha" mesmo.

Não recomendo. Infelizmente o valor dela não é dos mais baixos (custou R$ 148,00 na Ricardo Eletro, lugar com preço mais barato, nos outros sites era mais de R$ 170,00), e não me liguei no defeito das temperaturas até um tempo depois de comprada (não estava fazendo chás com ela, porque ela fica no meu trabalho).

Com o nome Gauchá, como estava nos sites de vendas todos quando comprei
Enfim, dá pra usar, mas naquelas. Esses dias inclusive li um texto sobre como muitas coisas no Brasil são assim: ah, dá pra usar, não é tão bom, mas vamos levando.

Veja o que diz no manual:



21 de novembro de 2016

Provando chás verdes Yamamotoyama

Estou eu aqui com alguns chás Yamamotoyama para escrever a respeito há um tempo, e nunca me arranjava tempo e disposição para provar, anotar, testar, fotografar. Eis que a disposição chega e então vamos à luta.

A Yamamotoyama do Brasil é uma empresa brasileira, com cultivo dos chás no interior de São Paulo, assim como outras marcas das quais já falei aqui (Amaya e Obaatian). Até pouco tempo, era a única que produzia chá verde decente em solo brasileiro, agora a Amaya está se propondo a isso também - embora a maior experiência, técnica e variedade de tipos ainda deixem a Yamamotoyama  bem na frente.


O site deles é bem bom em explicações, você pode visitar lá e saber que "em 1970, foi fundada em Tapiraí, Estado de São Paulo, a empresa Green Tea, predecessora da Yamamotoyama do Brasil", entre outros detalhes da empresa.

Eles me enviaram três tipos de chás para eu provar, logo abaixo falo sobre cada um deles. São todos verdes - eles só produzem chá verde e um chá branco. As instruções de preparo são as mesmas para todos, e são um pouco confusas (pedem para colocar as folhas em uma chaleira - o que pode parecer que é pra fazer cocção e não infusão - e depois despejar "a água fervida", mas não disseram pra ferver a água) mas, enfim, imaginei o que eles estava querendo dizer e preparei todos do mesmo jeito: utilizei em torno de dois gramas de chá para uma xícara de 210 ml, o que dá uma colher de chá bem cheia de folhas, ou duas rasas; coloquei água quente, em uma temperatura de aproximadamente 80ºC, e deixei por dois minutos (água boa para chá verde é entre 80ºC e 85°C, geralmente; é só desligar quando começar a querer se formar borbulhas grandes no funda da chaleira, ou deixar ferver e aguardar uns dois a três minutos antes de colocar no chá). Nestes chás o tempo e a temperatura são importantes, pois amargam fácil, é bom se ligar se não quiser ficar com uma infusão ruim na sua xícara. O resultado temos a seguir:



- Guenmaicha - é o tradicional chá japonês com arroz torrado (foto mais abaixo). Uma diferença deste chá Yamamotoyama é que os outros guenmaichas que eu conheço vêm com os grãos de arroz no estilo "flocos", alguns até com os flocos estourados como pipocas (veja aqui um exemplo), e este aqui vem com o que parece mesmo arroz cru torrado. É bom, suave, com o característico sabor tostado do arroz, e o chá sem ser amargo, dando uma infusão verde claro - neste caso, é uma mistura muito acertada de sencha com bancha, resultando numa bebida leve mas marcante. Guenmaicha acho uma boa opção para acompanhar uma refeição ou pra dar aquela esquentada num dia frio. Diz no site deles que contém matcha também (o que explica o pozinho verde que cobre as folhas e a cor mais viva da infusão), não sei por que não está escrito isso grande na embalagem, pois é algo que chama a atenção do público, mas para o sabor não faz muita diferença (já havia provado um guenmaicha do Japão mesmo com matcha, e o sabor é parecido demais com o sem matcha).

Nota do Chato dos Chás: 4 de 5 (sabor marcante e leve, sem amargar)

- Bancha torrado - Segundo eles, "é o bancha passado pela máquina de torrefação depois de pronto". Gosto bastante, tem um sabor marcante, que parece alguns oolongs mais oxidados que já provei (especialmente o Butterfly), não é pesado e, diz a marca, tem pouca cafeína. A cor da infusão é um marrom claro bem transparente. As folhas são amarronzadas também, com aroma forte de tosta. Ele amarga com facilidade, então se deixar um pouco além do tempo já fica com uma bebida menos agradável (se ficar um pozinho no fundo depois de coado, pode crer que o final da xícara estará com amargor).

Quero aqui fazer uma observação: na embalagem deste Bancha, ele tem a identificação "chá verde torrado", o que leva pessoas a crerem que banchá é chá verde torrado, mas não é; banchá é um tipo de chá verde, como já falei num post aqui. Neste caso, ele é torrado, e a mesma marca tem um outro banchá que não é torrado. Mais claro seria que a identificação na caixa fosse mesmo Bancha Torrado.

Nota do Chato dos Chás: 3,5 de 5 (porque amarga fácil, acaba ficando uma bebiba menos boa no final da xícara, onde está o pozinho  que passou do coador)

Atualização: fui alertado nos comentários sobre o fato de as embalagens trazerem os nomes dos chás em japonês, e a do banchá dizer "houjicha", que é exatamente um chá verde torrado (geralmente bancha mesmo).

- Orgânico - É o que eu mais tomei, porque gosto da proposta deles de fazer um chá orgânico e queria alguma possibilidade de gostar dele porque estava difícil. Segundo a marca, o chá está "na sua forma natural, sem efetuar processos como seleção e processos industriais", daí não acho que vale a pena, já que o que dá o sabor e a característica de cada chá é o modo como é selecionado e processado (além do modo como foi cultivado), se você só vai colher e vender, é como tomar o chá que sua vizinha hippie plantou na hortinha da sacada e não vai ficar legal - pode ser até uma proposta linda, mas não é assim que funciona um bom chá (e estou falando de chá de Cammelia Sinensis, não de infusão de ervas, que daí pode sim funcionar o "colher e ferver"). Pois não ficou legal mesmo. É o chá com menos sabor e menos profundidade sensorial: ou você faz e ele fica quase sem gosto ou ele fica amargo demais (demais!). Se deixar um pouco mais que dois minutos, ou se colocar água muito quente ou se ficar um pozinho no fundo depois de coado (sempre fica), pode crer que a bebida vai ficar muito amarga e desagradável. Aqui eu lembro: chá verde não tem que ser amargo e desagradável!

Nota do Chato dos Chás: 1 de 5 (porque não adianta ter uma proposta boa - e não digo que ser não-selecionado e não processado é bom, mas sim ser orgânico -, tem que ser um bom chá)



Eles produzem alguns chás de provável maior qualidade, como o sencha e o sincha, estes ainda não provei. Já havia tomado muito antigamente o chá verde mais comum deles, que vendem em pacotes de plástico em vários lugares, e ele era bem bom na época que tomei (falei um pouco dele em um post sobre amostras).

Para saber onde comprar chás Yamamotoyama, visite o site deles, lá tem uma página para indicar locais de venda (em Porto Alegre, o verde simples do saco plástico se acha com alguma facilidade no Mercado Público).

Site da marca: http://www.yamamotoyama.com.br


6 de junho de 2016

Provando o Obaatian - o Chá da Vovó

Se houve uma surpresa pra mim nos últimos meses no mundo dos chás, foi a descoberta do Obaatian, o Chá da Vovó. Já conhecia ele em um blend da Infusorina (já resenhado aqui no blog), mas não tinha tomado puro. A produção de chá de qualidade no Brasil é bastante escassa e raros são os que se destacam como chás realmente bons de saborear. Este é um deles. (Já falei aqui sobre o chá preto Amaya também e quero falar futuramente sobre os Yamamotoyama).


Dona Ume Shimada no chazal | Foto de Luci Judice Yizima/Jornal Nippak


O chá é produzido pela dona Ume Shimada e sua família, em Registro, interior de São Paulo. "80 anos nas costas da vovó Shimada não foram suficientes para abalar o ânimo dessa senhora. Arregaçou as mangas para recuperar a plantação de chá em seu terreno, e com a ajuda de sua filha, Teresinha, levantou uma pequena fábrica de chá artesanal. Com carinho e dedicação, o Sítio Shimada hoje produz seu próprio chá preto puro de qualidade, na tradicional região do Vale do Ribeira." Assim nos é apresentado o chá no site da empresa, uma belezinha.

Leia abaixo trecho da matéria do Jornal Nippak, que tem boas fotos também: "De acordo com a dona Ume, por dia são colhidos 20 quilos de brotos de chá, toda a produção do chá é feita manualmente por ela. Os chás são feitos de brotos e folhas recém-emergidas, colhidas manualmente a cada duas ou três semanas de setembro a maio. Em três meses tem nova safra. Após a colheita, as folhas são espalhadas em grandes bandejas e deixadas para secar por períodos de tempo variados."

Quanto ao chá, é um preto artesanal lindo, de folhas grandes levemente torcidas, cheiroso, com sabor extenso, complexo, lembrando os bons chás chineses de que já falei muito aqui no blog. Suave e marcante, fica pronto em um minuto apenas - instrução muito acertada da embalagem; na embalagem, aliás, temos a data de colheita do chá que estamos tomando, o que é uma informação importante pra quem gosta de saber.




Tenho grande apreço a este chá e dou minha total recomendação. Se tivesse que escolher alguns chás pra levar pra uma ilha deserta, este seria um deles (não sei como eu ia preparar chá em uma ilha deserta, mas, né, é só imaginação).

No site da marca saiba onde encontrá-lo: www.obaatian.com.br

Online você pode comprá-lo com a Infusorina: www.infusorina.com.br

A Yuri, do blog Chá, Arte e Vida, visitou a fazenda e fez um post mostrando o processamento artesanal do chá: chaarteevida.blogspot.com.br/2015/11/visitando-as-fazendas-de-cha-no-brasil.html


24 de setembro de 2015

Provando chás da Infusorina

Coisa boa é que o mundo dos chás está se expandindo no Brasil. Temos novas casas, novos produtos, novas marcas e muito conhecimento sendo compartilhado. Uma dessas novas marcas é a Infusorina (www.infusorina.com.br), comandada pela sommelière Renata Acácia há cerca de um ano. Ela tem instigantes blends próprios; dois desses blends eu provei e falo agora deles:


Bem-me-quer - Minha inicial admiração aqui vai para o ótimo chá preto nacional que compõe a base do blend: é o Shimada, produzido na cidade de Registro, em São Paulo. É um chá macio, redondo, com bom corpo, muito gostoso de tomar. Junta-se a ele rosa mosqueta, amaranto e hibisco. Tive um pouco de dificuldade inicial de sentir o sabor dos outros ingredientes, só consegui quando fiz com água em temperatura mais alta do que a recomendada (recomenda 80°C, fiz com 90°C), daí principalmente a rosa aparece no paladar, o que deixa ele ainda melhor - mas isso também vai depender da quantidade de pétalas que você pegar pra fazer a infusão.




Amaranto - Aqui temos um chá verde como base, juntando jasmim, amaranto, lavanda e maçã. Geralmente tenho algumas ressalvas a chá verde com jasmim, mas este compõe muito bem com os outros ingredientes, especialmente a lavanda, que dá uma profundidade super interessante ao sabor, além de um aroma convidativo. É bacana poder tirar o chá do pacote e olhar para ele, para ver todos as flores e outros elementos envolvidos no blend.

Só senti falta nas embalagens da descrição de todos os ingredientes dos blends. No Bem-me-quer falta dizer que tem hibisco, e no Amaranto falta dizer que tem maçã. A propósito, as embalagens são muito bonitas:


Fiz algumas perguntas à Renata para escrever o post e acho que as duas últimas respostas dela são importantes estarem aqui por inteiro:

Qual está sendo o maior desafio de trabalhar com chá no Brasil?
Materia prima necessária. Sinto muita dificuldade de encontrar flores, especiarias, chás de folha inteira (naturalmente, afinal, não são produzidos aqui). Ainda mais nesse momento em que o dolar não ajuda. Mesmo que eu use toda a experiencia e, por que não, contatos no comércio internacional, a dificuldade a nível Brasil é ainda muito grande.
Imaginei que a falta de "cultura" do chá fosse um empecilho, mas percebo a cada dia que as pessoas estão muito abertas ao novo e ao que faz bem.

E qual a maior satisfação de trabalhar com chá no Brasil?
Eu tenho alguns amores e, o Brasil é um deles. Morei em quatro estados e sou completamente apaixonada por pessoas. Gosto dessa troca de informações e compartilhamento e me sinto muito realizada em estar com a Infusorina em um momento diferente do nosso país, momento da geração de valor, de mudanças políticas, de mudanças de valores e de negócios. O chá tem sido um boom e participar disso ativamente é gratificante, receber mensagens, ligações e depoimentos passam muita força e determinação. Então, consigo resumir que: desenvolver juntamente a todos que apreciam a cultura do chá, e difundir a mesma aqui, no nosso país é gratificante por si só. 

Os chás são vendidos pelo site, onde também é possível comprar os chás brasileiros Amaya (que já foram tema de um post, com seu chá preto) e o Shimada: www.infusorina.com.br


17 de agosto de 2015

O que é matcha

A nova moda das empresas de dieta parece ser o matcha. Tem em tudo que é lugar algum produto com este nome. E de tudo que é jeito absurdo - porque, você sabe, nem tudo que se diz que é algo é aquilo mesmo, especialmente neste ramo de alimentação (lembrem-se, por exemplo, que recentemente, seguindo a moda detox, muitos produtos chegaram às prateleiras com este nome "detox", prometendo "desintoxicar" as pessoas, e a Anvisa mandou suspender sua divulgação "milagrosa").


Bom, ok, ninguém liga muito para o que é matcha, bancha, chá vermelho etc,  mas eu ligo. Vamos lá dar uma aprendida no assunto então.

Matcha simplesmente é um tipo específico de chá verde, em pó, produzido de modo tradicional japonês, originalmente usado para a cerimônia do chá nipônica. Estas as palavras chaves: "chá verde específico", "japonês" e "em pó". Fora desse padrão, não é matcha. Pode ser em pó, mas se não for o tipo certo, feito segundo os preceitos japoneses, não é matcha. Pode ser parecido, pode estar imitando, pode querer confundir, mas não é matcha. É que eu gosto das coisas bem entendidas.

Este produto da foto abaixo, por exemplo, não é matcha, é uma mistureba de um monte de negócios. Mesmo os produtos que não são essa mistureba, que consistem em apenas chá verde em pó, se estão nas prateleiras de supermercados ou lojas de coisas naturais anunciando emagrecimento, provavelmente não são matcha também. Tudo bem serem só chá verde em pó. Tudo ótimo com tomar chá verde em pó, mas colocar na coisa o nome de algo que não é, não me parece honesto, apenas marketing pra vender mais com promessas suspeitas (e lojas de coisas naturais estão cheias dessas coisas, vide os detox da vida, os pré-treinos super-power que são só cafeína, os seca-barriga, os cafés verdes, os óleos de sei-lá-o-quê - conheço todos de vista, estou sempre nessas lojas).


Você pode vender um queijo mussarela dizendo que é parmesão? Pra quem não sabe a diferença, pode. Pode vender um whisky de Piracicaba dizendo que é um scotch 12 anos? Pra quem não sabe a diferença, pode. É isso que acontece, basicamente.

E quais são as especificidades do matcha, então? Bom, o matcha vem, é claro, da cammelia sinensis, a planta do chá. Ele é cultivado como um gyokuro (o mais requintado dos chás japoneses), ou seja, nos últimos 20 ou 30 dias antes da colheita a lavoura toda é coberta para que as plantas não peguem mais sol. Isso faz com que diminua o nível de taninos nas folhas (responsáveis por amargor), e aumente o aminoácido teanina, assim dando um sabor forte e marcante mas suave e doce ao matcha, e sua cor fica mais viva e profunda.

Depois ele passa por etapas de processamento específicas das folhas, até que elas sejam moídas em um pó muito, muito fino, utilizando-se moedores de pedra - os de baixa qualidade são moídos em máquinas mesmo, como pode-se ver no vídeo ao final do post.

Propriedades benéficas, ele tem? Sim, as propriedades do matcha são potencializadas por ele ser tomado diretamente, ou seja, ingerimos as folhas mesmo (o pó), e não a infusão das folhas, como nos outros tipos de chás. Assim sendo, polifenóis estão em profusão (que são anti-oxidantes e fazem um bem danado), principalmente um lá chamado EGCG, assim como cafeína. Ele emagrece? Bom, cafeína é conhecida por acelerar o metabolismo; enquanto isso a teanina é cheia de propriedades benéficas e nutrientes. Isso faz emagrecer sozinho? Realmente, não, mas pode ajudar dentro de um contexto,como tudo na vida.


Fiz um teste estes dias, com um matcha de verdade, que nem era de alto nível, e um desses matchas falsos que são qualquer-coisa-que-não-sabemos-o-que-é, comprado numa "loja natural". A foto acima mostra o resultado: o matcha real fica espumoso e bonito, a espuma dura vários minutos e o aroma é fantástico - o sabor também, para mim, mas isso vai do que cada um acha: não tem nada de amargo, mas tem um gosto bem verde, com notas de espinafre e algo umami. Já o "falso matcha" fez pouca espuma, que logo desapareceu, e tinha um gosto amargo de nada, realmente.

É bom aqui salientar que as propriedades benéficas do matcha só estão reportadas porque em estudos são considerados os matchas verdadeiros. Se alguém pega aqueles chás verdes horrorosos que se vendem por aí nas lojinhas (já viram quanta porcaria tem por aí com o nome de "chá verde"?), mói e vende como matcha, nem rezando dá o mesmo resultado.

Então, lembrando: matcha é sim um chá verde em pó, mas é um chá verde muito específico, cultivado de forma específica e processado dentro dessas especificidades. Não é porque moemos qualquer chá que ele se torna matcha, assim como não é qualquer vinho espumante que é champanhe (só pode usar este nome os espumantes da região de Champanhe, na França, você sabe). Se você está assim preocupad@ com sua saúde e/ou dieta, faça direitinho. Se quiser comprar matcha, compre do bom; se quiser comprar chá verde, compre das marcas decentes, nada daquele monte de capim seco cheio de galhos.

Aqui um vídeo mostrando rapidamente o processo de se plantar e processar matcha (eles só não mostram as lavouras cobertas, apenas as lonas amarradas sobre os canteiros esperando a época certa para serem abertas):


Em breve (provavelmente nem tão breve) farei um vídeo mostrando como se prepara o matcha. Ele tradicionalmente é usado para a cerimônia do chá japonesa, que envolve todo um ritual meditativo, mas para tomar em casa normalmente bem de boas também há que se saber como preparar.

Atualização
Onde comprar?
Atendendo a pedidos, segue onde há matcha verdadeiro para comprar no Brasil, que eu saiba:
Talchá - online e nas lojas
Moncloa - nas lojas
Perceba que o preço em "tea boutiques" é bem alto.

Também se encontra em São Paulo, em alguns mercadinhos da Liberdade (cuidado, compre de marcas japoneses, pois marcas brasileiras não fazem o verdadeiro).

O meu eu comprei no Ebay. Você vai ver que os valores são bem mais em conta. Aqui também é preciso cuidado, pois há muita coisa de baixa qualidade - mas geralmente dá pra comprar tranquilo, só que chega dois meses depois.

27 de julho de 2015

Introdução ao chá japonês

Pois se há todo um mundo dos chás, há um pequeno mundo dentro desse mundo maior reservado aos chás japoneses. São chás bastante específicos e diferentes dos chás chineses (que são os mais conhecidos e difundidos) e indianos (conhecidos pelos chás pretos). O chá verde é a qualidade principal, quando alguém lá menciona chá (ocha), é a um chá verde que está se referindo. Além dos próprios chás, os utensílios e a cerimônia tradicional de preparo difere dos outros países. Já falei sobre banchá aqui no blog, e quero escrever sobre matcha e os outros, mas antes farei uma introdução ao tema, retirada do livro Tea Sommelier:

"Chá em todas as suas formas é tão difundido na sociedade japonesa que faz parte de quase toda rotina diária: é servido com refeições em restaurantes (bancha, houjicha), é preparado entre amigos ou em reuniões mais refinadas (sencha, gyokuro), e, é claro, sintetiza a filosofia zen durante a cerimônia do chá (matcha).

No Japão, o chá é colhido de duas a quatro vezes por ano. A colheita na primavera é sem dúvida a melhor e a mais solicitada. O chá verde japonês é tradicionalmente cultivado na província de Shizuoka, lar do melhor Sencha, na província de Kyoto, famosa pelo matcha e pelo gyokuro, e nas províncias de Kagoshima e Kyushu, no sul do país. 

O chá verde lá geralmente retém sua cor viva através de um método de vaporização em alta temperatura desenvolvido em Kyoto em 1738. Durante essa fase muito curta do processamento a temperatura alta bloqueia as enzimas das folhas responsáveis pela oxidação, permitindo ao chá preservar sua cor original."



Foto de Fabio Petroni, no livro Tea Sommelier



16 de junho de 2015

Tomando chá em Nova Iorque - Parte 2

Segundo e último post sobre as casas de chá que visitei em Nova Iorque. Agora temos as duas melhores experiências (para ler o primeiro post, clique aqui).

Argo Tea - loja localizada no térreo do Flatiron Building, um dos cartões postais de NY. Muito bonitinha, colorida, com amostras grátis de chás gelados logo na entrada. Opções de drinks de chá com misturas e leite ou só chá infuso. Não tinham menu, você tem que escolher o chá na parede de chás (ou uma das opções de misturas sugeridas na tabela de preços sobre o caixa, tipo MacDonalds) e o que quiser comer direto no balcão - nada muito incrível, alguns bolinhos, cookies, sanduíches prontos e coisas do tipo. Os chás são preparados numa espécie de máquina expressa. Em 2 minutos a menina fez chá pra três clientes. Ia até reclamar porque achei que ela tinha feito com leite, mas não, era só espuma do chá mesmo quase saindo do copo (e ficou bom!). Há sofás, uma mesa coletiva grande e algumas individuais. Servem em copo descartável como as casas do post anterior, mas é um ambiente bem tranquilo pra ficar com seu copo. Ponto negativo: o banheiro é fechado com senha, mas a senha não vem no recibo de compra (como acontece no Shake Shack, por exemplo), você tem que pedir pra uma atendente atrás do balcão enquanto ela atende outras pessoas (treine seu ouvido para números, isto é de real importância em toda a viagem - você acha que é fácil mas quando alguém atrás de uma máquina de chá te diz ou-naine-ou-fortifaive você pode ter dificuldades). Os chás em folha pra levar já estão em pacotes e vidros, é só pegar (tem uma balança, talvez dê pra pedir por peso também, não percebi, mas deve ser meio complicado). Tem wifi do local e o do prédio. E a vizinhança é uma belezinha, dá um belo passeio.





Endereço da loja: 949 Broadway New York

Alice's Tea Cup - uma casa de chá que tem por tema Alice no País das Maravilhas (há o Chapeleiro Maluco no livro, você sabe, que serve chá). É dividida em duas: na parte da frente você pode pedir chá to go (pra levar, em copo descartável), comprar em folhas ou pegar um dos scones ou muffins. Se quiser sentar é preciso pedir uma mesa. Quando fui estava cheio, precisei esperar uns 10 minutos por ali. Lá dentro é meio escuro, rústico, móveis díspares, utensílios que não combinam, bem descolado. Há um menu com os chás e outro para comidinhas e refeições. Pedi um bule de chá com dois scones. O bule é considerável, dava umas 5 xícaras. O chá era ótimo, pedi o sabor errado, mas não me arrependi. Os scones também tinham tamanho interessante, dá pra quem está com fome mesmo; eles vêm com geléia e um creme tipo chantilly. Aqui é serviço de restaurante normal: pede pra atendente na mesa, eles trazem, depois no fim pede a conta e faz o procedimento de pagamento (lá nos EUA tem o negócio de dar gorjeta, e é depois que passam o cartão, não entendo, uma complicação, mas funciona). Logo depois de me servirem o chá veio um funcionário e distribuiu nas mesas umas canecas dessas aí da foto, com água (tap water, água da torneira); achei divertido. Fica pertinho do Central Park, dá pra ir direto do Strawberry Fields (local no parque em homenagem ao John Lennon) pra lá. Apenas um ponto negativo: não tem wifi - apesar de haver uma conexão com o nome da loja, a atendente disse que eles na verdade não tem -, se você for turista essa pode ser a diferença entre conseguir pesquisar seu próximo destino ou se perder andando rumo a midtown e ter que voltar quatro quadras até achar um wifi gratuito. Mas como experiência de lugar, de atendimento e de gastronomia foi a melhor de todas. São queridos, atenciosos e não querem que você saia de lá correndo.




http://alicesteacup.com/
Endereço da loja: 102 West 73rd Street, at Columbus Avenue, New York


2 de junho de 2015

Tomando chá em Nova Iorque - Parte 1

Férias em New York (também conhecida como Nova Iorque). Onde tomar chá no clima outonal-super-frio de abril? Eu tinha como referência os posts da Márcia, do blog Folha do Chá, que foi para lá em 2012. Anotei as casas de chá em que ela foi e juntei com algumas outras e fiquei com uma lista de 10. Como várias eram fora de mão para ir, acabei indo em quatro somente. Segue um pequeno resumo e review de duas delas. Em breve um outro post com as outras duas. Logo aqui abaixo o meu mapa da cidade com as localizações das casas de chá - como algumas têm mais de uma loja, fiquei com um mapa de 20 opções, incrivelmente distantes de quase todos os outros pontos que eu deveria visitar (que estavam divididos em outros mapas - viajar é planejamento).



David's Tea - Uma das primeiras marcas de chá que eu conheci, inclusive porque os chás deles é que são usados em um vídeo sensacional sobre as diferenças na vida de ser um bebedor de café e de chá (tema de um dos primeiros posts deste blog). A tranquilidade a que o vídeo faz referência em relação ao chá não se encontra na loja. Só vendem chá em copo descartável to go (pra viagem), o que é a tendência, então ok, nem é ruim assim. Mas só o que fazem é colocar um saquinho lá dentro, com água quente; você tem que adivinhar qual é o tempo de infusão e tirar o saquinho. E mesmo que tenha duas mesas e um sofá, é pra você ficar lá com seu copo descartável pronto pra sair, porque parece que estão é muito interessados em ser rápidos e vender utensílios. Os atendentes são simpáticos, mas falam rápido mesmo, não foi fácil lidar com eles com meu inglês fora de prática. Há chás em folha em diversos formatos para comprar (pacotes, latinhas, caixinhas com saquinhos). O chá que tomei lá foi bastante bom, e a variedade abarca vários gostos. Ponto positivo: havia um atendente do lado de fora da loja distribuindo amostras grátis de chá gelado em copinhos, achei simpático; o mesmo atendente depois ficou interessado por eu ser brasileiro e conversou descontraidamente. Ponto negativo: quando quis comprar chá em folha pra levar ele encheu um pacote e me cobrou 30 dólares, sem perguntar quanto eu queria (pergunte antes de comprar como são as medidas!). As latas grandes que contêm os chás têm um compartimento em separado onde é possível ver e cheirar o chá (o que acabei nem fazendo, porque me senti meio corrido).Tem wifi? Tem wifi.

http://www.davidstea.com
Endereço da loja: 275 Bleecker St, New York



Teavana - é a rede maior dos EUA. A loja é lindona, com visual de restaurante sofisticado . Havia umas mesas no fundo e uma mesa coletiva à janela, de frente pra calçada da Madison Avenue, uma beleza. Aqui havia um menu com os tipos de bebidas e um outro com pratos e lanches. Não há os sabores dos chás no menu, então você pergunta ou se levanta e vai na parede das latas de chá ver o que tem. Foi o que eu fiz: fui até os chás (a variedade é grande, mais de 60), daí um atendente ficou bem na minha frente perguntando se eu queria sugestões. Não, eu não queria. Escolhi um dos chás que eu consegui ver por cima da cabeça dele (chá branco com sabor de melancia), e umas tipo almôndegas de arroz recheadas de frango. Serviram o chá em alguns minutos (num copo descartável - você só recebe xícara se pedir um bule). Ao contrário do David's Tea, eles servem o chá já infuso, pronto para beber, nada de saquinho dentro. Fiquei lá esperando o prato, tomando o chá que nem era tão bom (adstringente e vai ficando enjoativo); a loja estava calma e realmente é um bom lugar. Mas eis que o prato não chegou. Passou mais de meia hora até eu achar que não deveria demorar tanto assim pra preparar, nem que tivesse que cozinhar o frango inteiro. Reclamei (reclamar é algo que não se aprende nas aulas de inglês, realmente, mas foi ok), e o funcionário que me atendeu disse que ele tinha esquecido. Daí é complicado. Fiquei magoado e nem comprei chá em folha nem nada mais. E as chicken rice balls eram bem boas e nutritivas, mas servem sem faca, fica difícil você tentando ser chique na Madison Avenue tendo que cortar bolas densas de arroz com um garfo em cima de uma tabuinha. Aqui os atendentes levam o seu pedido na mesa, não ficam chamando teu nome de forma que você não entende. Tem wifi do Google, como nos Starbucks.

http://www.teavana.com
Endereço da loja: 1142 Madison Ave, New York



Casas de chá do próximos post: Argo Tea e Alice's Tea Cup.


3 de maio de 2015

Tomando chá no aeroporto de Guarulhos

Starbucks e sua mesa coletiva
Então temos que ficar esperando no aeroporto por horas e queremos tomar chá, em Guarulhos onde podemos ir? Conheço dois lugares. O primeiro é o Starbucks, no terminal 2. Perdi a oportunidade de falar das experiências com chás no Starbucks em Lisboa, ano passado. Mas ali por Guarulhos a coisa é mais ou menos assim: não importa o tipo de chá que você peça (preto, verde ou chai), eles colocam um saquinho com chá de aparência muito boa (da marca própria deles, Tazo) em um copo descartável com quase meio litro de água fervendo e te dão. Você sai se queimando todo, esperando aquilo esfriar. Se não tiver a presença de espírito de abrir o copo e tirar o chá de lá depois de um tempinho (como é apropriado fazer), vai tomar um chá forte e amargo após esperar uns 15 minutos pra ele chegar numa temperatura tomável.

Copo do Starbucks com seu chá
O outro lugar para tomar chá é no terminal 3, onde fica o café Suplicy. É todo bonitão, com decoração preta e rosa, e com mesinhas agradáveis. Lá no Suplicy eles têm chás da marca Or Tea?, que são muito bons, com folhas inteiras em saquinhos decentes. Mas o serviço foi um tanto ruim quando lá estive. Você pede no caixa e eles vão preparar o chá e te chamam no balcão para pegar (estilo mesmo Starbucks, o que está ok). A atendente do caixa não estava por dentro do processo de pedidos de chá, ficou toda perdida, tive que ajudar e mostrar quais eram os chás e qual eu queria (falta de treinamento, hein). Depois eles me chamaram pra pegar o chá, passando a bandeja por cima de outras coisas; uma parte da água virou no processo, já que pegar uma bandeja com uma xícara cheia de água quente no ar não é assim tão fácil. O fato de virar um pouco de água é algo importante neste caso, já que servem o chá em uma xícara de café, que é bem menor do que os esperados 200ml de uma xícara de chá. Investimento em utensílios apropriados para quê, não é? (Aqui em Porto Alegre temos o Z Café na rua Padre Cacique, que serve os mesmo chás de uma maneira muito melhor - falarei deles em breve)


Daí você vê, têm um ambiente bacana, um nome famosinho, mas não estão muito preocupados com serviço que oferecem. Havia três funcionárias para atender no caixa, preparar os pedidos, entregá-los e cuidar da organização das mesas. Não me parece pouco até, mas falta de treinamento e de investimento no conhecimento dos colaboradores acerca do que eles servem foi visível.

Oferecer algo mais ou menos só porque é no aeroporto é a tendência 2015? Ter um empreendimento que só quer vender, não se importando com o bem servir daquilo que os clientes pedem é praticamente a mesma coisa que qualquer boteco faz (e olha que tem boteco que já evoluiu).

Tomar chá em xícara de café, quem quer?

(Texto baseado nas visitas ao aeroporto em agosto de 2014 e abril de 2015)

9 de abril de 2015

A importância do chá na Índia e os pesticidas que tomamos

Descobri um trabalho fantástico do Greenpeace, que relata todo um estudo com chás produzidos na Índia por grandes indústrias e o resultado alarmante da alta quantidade de veneno (pesticidas perigosos desaprovados para uso em chá) encontrada na maior parte das amostras. Há informações muito relevantes sobre a importância do mundo do chá naquele país, uma parte do texto eu traduzi aqui, já que são dados que me interessam e que são difíceis de achar:

"A indústria do chá na Índia tem mais de 175 anos, com área de cultivo próximo a 1 milhão de hectares. O chá é produzido em plantações nas regiões norte e sul, principalmente nos estados de Assam, West Bengal, Tamil Nadu e Kerala, com as áreas de maior intensidade ao norte somando cerca de 3/4 da produção nacional. Em torno de 26% da terra pertence a pequenos produtores, em plantações de menos de 25 acres.

A Índia é o segundo maior produtor de chá no mundo, só perdendo para a China, e o quarto maior exportador, atrás de Quênia, China e Sri Lanka. As exportações de chá contribuem para o positivo balanço comercial. Além disso, o cultivo de chá é fonte de receita para os governos dos estados cultivadores e para o governo central através dos impostos. O total de exportações durante 2011-12 somaram 214 milhões de quilos.

Em conjunto com a importância para a economia indiana que as exportações representam, a maioria do chá lá produzido é consumido internamente. Do total de 1.2 milhões de toneladas produzidas em 2013, perto de 80% foi para consumo dentro do país.

Estima-se que a indústria do chá emprega mais de um milhão de pessoas diretamente. Muitas dessas são mulheres. Mais de seis milhões de trabalhadores tiram seu sustento indiretamente do chá, através de atividades derivadas, aí incluindo o turismo."




Como não cheguei a ler todo o material fiquei sem saber das informações mais detalhadamente. Mas o resumo está logo no início:

"Uma investigação feita pelo Greenpeace indiano encontrou perigosos pesticidas na maioria das amostras de chás empacotados*  das principais marcas produzidas e consumidas na Índia. Metade das amostras continham pesticidas que são 'desaprovados' para áreas de cultivo de chá ou que excediam o limite recomendado"

Em outros trechos lemos que "Na Índia, as duas principais marcas - Hindustan Unilever Limited, subsidiária da multinacional Unilever, e Tata Global Beverages Limited - dividem mais de 50% do mercado".

"Aproximadamente 94% das amostras de chá continham resíduos detectáveis de pelo menos um dos 34 ingredientes ativos de pesticidas"

"Aproximadamente 60% das amostras continham resíduos de pelo menos um ingrediente ativo de pesticida acima dos Níveis Máximos de Resíduos definidos pela União Europeia, com 37% das amostras excedendo esses limites em mais de 50%."

Quem se interessar e quiser ler o material completo, está disponível em PDF neste link: http://www.greenpeace.org/india/Global/india/image/2014/cocktail/download/TroubleBrewing.pdf

Há muitas informações sobre os tipos de pesticidas, quantidades encontradas, como isso afeta os trabalhadores e a saúde dos consumidores, além de ser um material muito bem escrito e apresentado (se todos apresentassem pesquisas de um jeito interessante assim o mundo seria mais culto).

E daí a gente se pergunta o quanto de veneno consumimos nas coisas que comemos. Se há pesticidas nos chás que produzem na Índia, há veneno também nestes chás que eu tenho aqui na minha casa? E aí na sua casa? E no café? E no tomate? E na couve-flor? Meio que sabemos a resposta, mas tentamos esquecer, não é?



*"package tea", provavelmente são chás em saquinho e os vendidos no varejo em pacotes de folhas soltas


1 de abril de 2015

Tomando chá: Gunpowder

Gunpowder. Assim é conhecido um chá verde chinês que é enrolado em pequenas "bolinhas" desiguais, que juntas se assemelham a grãos de pólvora (gunpowder, em inglês). É um tipo muito conhecido por ser fácil de identificar e ter um sabor característico.

Dá um bebida encorpada, e com um leve sabor defumado. Há informações de que a quantidade de cafeína deste chá é maior que a maioria dos outros verdes (entre 35-40 mg por xícara)*, mas isso é bem relativo. Uma das recomendações é tomá-lo logo de manhã, pra dar uma boa acordada. É bom pra tomar gelado e combina muito com menta, daí ele ser geralmente usado para o Moroccan Mint, que é a mistura desses dois ingredientes pra dar uma bebida ao mesmo tempo vigorosa e refrescante.

Gunpowder da Chá Yê

Um gunpowder de boa qualidade é formado por essas "bolinhas" não tão redondas, pequenas e um tanto lustrosas. O fato de ser enrolado (quando bem enrolado) faz com que o sabor fique guardado nas folhas por mais tempo, também evitando desgaste e a quebra. Nem todo chá enrolado é gunpowder, porém; há outros que também são assim finalizados, embora cada um tenha uma cara diferente.

Originário da província chinesa de Zhejiang, é produzido em massa sem muito controle, daí haver muitos exemplos de gunpowder terríveis por aí (no livro Tea sommelier a autora, Gabriella Lombardi, diz que tal chá é de "qualidade geralmente medíocre") . Eu ao longo dos meses ano passado fui juntando alguns gunpowders em casa. Aqui falo um pouquinho deles.

Whittard - você vê que é uma marca tradicional inglesa, pensa que deve ser um bom chá e compra. Daí você abre a latinha e percebe que mais da metade do chá são folhas quebradas, dobradas e amassadas, as enroladas mesmo são poucas. Dá um chá com menos sabor que os outros, e aparentemente com mais cafeína.

Vis Vitalis - você vê um pacote numa loja de produtos naturais, pensa que é mais uma daquelas porcarias que no Brasil chamam de chá, mas vê que é produzido na China e dá uma chance, achando que vai falar mal em seguida. Daí você prova e acha até muito decente, apesar de as folhas virem com alguns galhos (e até uma pedrinha) e a maioria mal enroladas. O sabor defumado não é muito evidente, mas dá um chá encorpado e honesto. Imagino que ele seja mais facilmente encontrável e tem um preço mais baixo que os outros.

Chá Yê - você vê que é um chá feito pelo mestre Xu Yong Hui, e, apesar de não fazer ideia de quem ele seja, acredita que deve fazer um bom produto. E daí você estava certo: é um ótimo chá, com as folhas realmente enroladas (com alguns galhos no meio, é verdade), sabor defumado característico que fica macio na boca. Depois de infusas as folhas se desenrolam e ficam inteiras, ao contrário dos outros, que desenrolam para mostrar que realmente todas as folhas são quebradas e colhidas sem maior cuidado.

Ali em cima temos uma foto mostrando em detalhe o formato das folhas enroladas do chá da Chá Yê, e aqui embaixo seguem as folhas das outras duas marcas:

Gunpowder da Whittard

Gunpowder da Vis Vitalis
O da Vis Vitalis, portanto, é uma ótima opção para quem quer começar a tomar chá verde com personalidade, que dura bastante, podendo aproveitar os benefícios da bebida sem gastar muito. O da Chá Yê tem todos os pontos positivos e ainda é feito com esmero, artesanalmente, e tem uma riqueza de sabor maior (e provavelmente mais nutrientes, já que tem folhas maiores e mais bem cuidadas).


* Dados sobre cafeína desta página: http://theteaspot.com/gunpowder-green-tea.html


4 de agosto de 2014

Onde servem chá: Tea Connection - São Paulo (2014)

Estive em São Paulo e quis visitar somente as casas de chá que foram mais agradáveis de estar ano passado, o que se resumiu à Tea Connection e ao Bistrô Ó-Chá. Pois nesta primeira o negócio não foi tão bom assim desta vez, no que se refere aos chás. Então este post é mais para não recomendar a Tea Connection, infelizmente.


Já havia falado de alguns problemas notados ano passado, no que se refere ao preparo do chá na mesa, principalmente ao fato de o chá ser colocado no bule após a água (e assim ficar algumas folhas boiando, sem serem infusas). Pois agora é pior. Resolveram diminuir a quantidade de água no bule (antes dava para mais de três xícaras - o que era ruim pra quem está sozinho, aliás), só que o infusor não vai até o fundo, assim agora a água  mal toca nas folhas, só dá uma molhadinha por baixo, as de cima ficando completamente secas e fora d'água.

Ora, para fazer uma INFUSÃO, é necessário que as folhas estejam na água. Óbvio e fácil, mas tive que quase discutir com o atendente para que colocassem mais água no bule: ele ficava insistindo que assim ia ficar ótimo e que ia dar uma xícara e meia de chá (como quem diz "não é pouco, não"); mas minha preocupação não era a quantidade de chá que ia resultar, mas na água saborizada que ia ser, um chá fraco sem gosto.


Ok, colocaram então mais água (desta vez POR CIMA das folhas, meus parabéns!), mas com a função toda o chá ficou uma merda de qualquer forma (mas não tava fraco, pelo menos). O atendente também manifestou a preocupação de a água não ficar em contato com as folhas depois da primeira xícara ser servida (motivo pelo qual devem ter diminuído a água), como eu havia reclamado ano passado, e realmente com mais água no bule a segunda xícara fica amarga pois a infusão continua até mais chá ser servido.

Bom, se você tem uma casa de chá e não consegue achar um jeito decente de fazer um chá bom, algo está errado. Do jeito que está, está ruim. O ambiente é agradável, as comidas são interessantes, mas o "tea" não está com muita "connection".



Ah, e continuam com aquelas informações erradas na cardápio, identificando oolong como chá vermelho (why, god, why?), na mesma categoria do pu-erh. Será que é pra poupar espaço no cardápio ou não sabem a diferença?


Parece o típico lugar que entra na onda de algo hype só pra ser cool num bairro elegante, mas perde a mão no essencial. É uma rede de lojas de origem argentina, a propósito; imaginaria-se que algum know how de chás deveriam ter, e não apenas seriam um restaurante/lancheria/bistrô onde servem chás à la loca.

Claro que o público que vai está se lixando pro jeito tosco que servem o chá, qualquer coisa vão achar bom e bonitinho ("ai, tem uma ampulheta, então é gourmet"), ou, mais certo, não vão achar bom mas vão pensar que é assim mesmo, "chá é assim sem graça". E não estou dizendo que as pessoas são estúpidas, mas geralmente não sabem o que é um bom chá nem como se faz apropriadamente - uma boa casa de chá é para isso, por isso tem obrigação de servir da melhor forma.

Uns dias depois fui em um café na Consolação que servia chás da Tea Connection (outro post virá para ele). E eis que a forma deles servirem é bem mais efetiva e resulta melhor: te trazem uma xícara com água quente, uma ampulheta e um infusor tipo bola com o chá dentro: você faz a infusão e tira depois que ficar pronto. Mais fácil e melhor. E, claro, há sempre a opção básica de servir o chá já pronto - se você tiver quem faça bem feito e bem cuidado, claro.

Tea Connection
Onde: Alameda Lorena, 1271 - Jardim Paulista - São Paulo
http://www.teaconnection.com.br
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